Morre Ben Ali, ex-ditador da Tunísia deposto pela Primavera Árabe em 2011

Ben Ali foi sentenciado a 35 anos de prisão, mas fugiu para a Arábia Saudita

Zine El Abidine Ben Ali, 83, ex-ditador da Tunísia, morreu nesta quinta-feira(19) na Arábia Saudita, onde estava exilado. A informação foi confirmada por seu advogado, Mounir Ben Salha, e pelo ministério das Relações Exteriores da Tunísia. A causa da morte não foi informada. O velório será nesta sexta-feira (20), em local não revelado.

Ben Ali chegou ao poder em 1987 por meio de um golpe não violento contra o então presidente Habib Bourguiba, de quem era primeiro-ministro. A tomada de poder ocorreu três semanas após Ben Ali ter sido nomeado para o cargo de premiê. Ele reuniu uma equipe de médicos que diagnosticou Bourguiba como senil, o que o lançou automaticamente a chefe de Estado.

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Presidente deposto da Tunísia, Zine al-Abidine Ben Ali (Foto: REUTERS/Zoubeir Souissi)

Ele foi o segundo governante da ex-colônia francesa após sua independência, em 1956.

Acusado de violações de direitos humanos, Ben Ali renunciou durante a Primavera Árabe, em 2011, e fugiu para a Arábia Saudita. O então ditador foi sentenciado a 35 anos de prisão, mas nunca respondeu ao processo.

Sua primeira década como ditador é lembrada pela reestruturação econômica apoiada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial que possibilitou à Tunísia uma taxa de crescimento de cerca de 4% ao ano.

Mas seu governo ficou marcado, principalmente, pelo silenciamento de dissidentes políticos, aumento da desigualdade e por corrupção.

Seu retrato era exibido em estabelecimentos de todo o território, incluindo comércios e escolas. Nas poucas ocasiões em que foi submetido a votação, saiu reeleito com mais de 99% dos votos.

A Tunísia é o único país que viveu a Primavera Árabe a continuar no caminho da democratização. Após o levante de 2011, ganhou uma nova constituição, eleições livres e um governo de coalizão entre laicos e islâmicos moderados.

No último domingo (15), os tunisianos participaram da segunda eleição presidencial da história do país, que será decidida em um segundo turno previsto para outubro.