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Massacre em hipermercado no Texas deixa ao menos 18 mortos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um atirador invadiu neste sábado (3) um hipermercado da rede Walmart localizado no centro comercial Cielo Vista, em El Paso, no Texas (EUA), e deixou vários mortos, segundo a polícia local.

De acordo com a agência de notícias Reuters, muitas das pessoas atingidas pelo ataque estavam comprando material escolar. Nos EUA, o ano letivo começa entre o final de agosto e o começo de setembro.

Ao menos 18 pessoas foram mortas, de acordo o senador José Rodríguez, que representa El Paso. O número de mortos não foi confirmado por oficiais de segurança, mas Rodríguez disse que a informação era baseada em um comunicado de uma autoridade do estado.

O procurador-geral do Texas, Ken Paxton, disse à rede CBS que “provavelmente há entre 15 e 20 mortos”. O canal de TV local KTSM9, por sua vez, mencionando uma fonte policial, afirmou que há 18 mortos e “numerosos feridos”.

Treze pessoas foram encaminhadas ao Centro Médico Universitário da cidade, incluindo uma pessoa que morreu, segundo o porta-voz do hospital Ryan Mielke disse à CNN.

Alguns dos pacientes passariam por cirurgias, enquanto outros estavam em condição estável, acrescentou ele.

Entre as 13 vítimas levadas à clínica, havia duas crianças, que foram transferidas para o Hospital Infantil de El Paso com ferimentos não fatais.

Veículos locais de notícias afirmaram que, em resposta ao apelo da polícia por doações de sangue, longas filas se formaram nos centros médicos, alguns dos quais tinham de pedir a possíveis doadores que voltassem no dia seguinte.

Ainda segundo a CNN, o autor do ataque foi identificado como Patrick Crusius, um homem branco de 21 anos que saiu da cidade de Allen, a 1.000 km de El Paso. Imagens de câmeras de segurança mostram o atirador usando óculos e fones ou protetores de ouvido e segurando um rifle.

Inicialmente, o prefeito da cidade, o republicano Dee Margo, havia dito que três suspeitos haviam sido detidos. O porta-voz da polícia local, o sargento Robert Gomez, no entanto, afirmou em entrevista coletiva que não podia confirmar a informação e reforçou que apenas uma pessoa foi presa.

Quando os disparos começaram, por volta das 11h no horário local (14h em Brasília), havia entre 1.000 e 3.000 clientes e cem funcionários no supermercado, segundo o porta-voz.

El Paso tem 833 mil habitantes, sendo que 81% deles são de origem hispânica, segundo dados da prefeitura.

Na entrevista coletiva após o ataque, o sargento Gomez respondeu às perguntas dos repórteres em inglês e em espanhol.

A cidade fica na fronteira dos Estados Unidos com o México. Do outro lado, há Ciudad Juarez, com mais de 1,3 milhão de moradores. O local do ataque está a cerca de 16 km da divisa internacional.

No Twitter, o presidente dos EUA, Donald Trump, publicou mensagem sobre o ataque. “Terríveis disparos em El Paso, Texas. Informações são muito ruins, muitos mortos”, escreveu o republicano. “Falei com o governador para garantir total apoio do governo federal. Deus esteja com todos vocês!”

Nascido em El Paso, o pré-candidato democrata à Presidência Beto O’Rourke escreveu em uma rede social que estava com o coração partido.

No momento do ataque, O’Rourke estava em evento democrata em Las Vegas.

A jornalistas disse que “El Paso é o lugar mais forte do mundo”. “A comunidade vai se unir. Eu vou voltar para lá agora para ficar com a minha cidade natal”, disse o candidato.

Em um comunicado, o WalMart afirmou: “Estamos em choque com a tragédia no Cielo Vista Mall (...) Estamos orando pelas vítimas, pela comunidade e por nossos associados, bem como pelos socorristas”.

O ataque ocorre menos de uma semana após um jovem de 19 anos invadir um festival gastronômico na cidade de Gilroy, na Califórnia, e matar a tiros três pessoas. O adolescente, que se matou na sequência, também deixou outras 12 pessoas feridas.

A cada ataque como o deste sábado, os EUA retomam o debate sobre restringir a posse de armas, mas não conseguem avançar as propostas.

A medida mais citada é aumentar a checagem de antecedentes criminas de quem compra armas. Uma proposta nesse sentido segue travada no Senado, de maioria republicana.

No país, o lobby da bala, representado pela NRA (National Rifle Association, o lobby pró-armas americano), historicamente faz doações a congressistas –particularmente republicanos— para evitar regulações mais rígidas envolvendo a posse de armas.