Taiwan dará abrigo a manifestantes de Hong Kong que temem governo chinês

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo de Taiwan dará assistência aos manifestantes de Hong Kong que pediram asilo com medo de perseguição pelo governo da China, segundo anúncio feito nesta sexta-feira (19). 

Segundo o jornal Apple Daily, de Taiwan, cerca de 30 ativistas envolvidos nos protestos das últimas semanas, que incluíram uma invasão ao Parlamento de Hong Kong, foram para a ilha.

"Podemos prover a assistência necessária a moradores de Hong Kong cujas segurança e liberdade estão em perigo por razões políticas", disse o governo de Taiwan em um comunicado, segundo o jornal The Guardian. 

Taiwan já deu abrigo a dissidentes chineses, embora o país não reconheça o conceito legal de asilo politico. No entanto, permite aos opositores chineses ficarem lá, por meio de vistos de longa duração. 

País autônomo de regime democrático, Taiwan é considerado uma província rebelde pela China, que não reconhece a independência da ilha.

Hong Kong está há cinco semanas mergulhada em sua pior crise da história recente, com grandes manifestações que, em alguns casos, levaram a violentos confrontos entre a polícia e uma minoria mais radical.

Os ativistas querem a retirada total de um projeto de lei de extradição que permitirá, se aprovado, que suspeitos sejam enviados para a China continental para serem julgados. Eles também pedem a renúncia de Lam.

Sob pressão, a chefe do governo local, Carrie Lam, suspendeu o projeto de extradição em meados de junho e, na semana passada, declarou que a proposta estava "morta", mas opositores querem ver a retirada formal do processo legislativo. 

Hong Kong retornou ao domínio chinês em 1997 sob a fórmula conhecida como "um país, dois sistemas", que garante por 50 anos liberdades que não são desfrutadas na China continental, incluindo o direito de protestar e um judiciário independente.

Mas muitos moradores se preocupam com o que veem como uma erosão dessas liberdades e uma marcha implacável em direção ao controle do continente. Pequim nega interferir nos assuntos de Hong Kong.