A ofensiva contra as ONGs na Itália ganhou notoriedade por causa da retórica inflamada de Matteo Salvini, mas as entidades também enfrentam problemas em outros países europeus, inclusive governados pela esquerda.
Na França, do liberal Emmanuel Macron, o navio Aquarius, da SOS Méditerranée e da MSF, foi apreendido por uma irregularidade no armazenamento de resíduos tóxicos e não conseguiu mais registro para navegar. O governo da Espanha, chefiado pelo socialista Pedro Sánchez, proibiu a ProActiva Open Arms de fazer resgates na costa da Líbia e ameaçou impor multas de centenas de milhares de euros à ONG.
Na Grécia, até o último domingo (7) governada pelo também socialista Alexis Tsipras, três ativistas da entidade ERCI passaram mais de 100 dias presos sob a acusação de favorecer a imigração clandestina e participar de organização criminosa.
"A Itália é mais teatral, faz mais barulho. A Espanha decidiu dentro de um escritório limitar nossas operações a uma zona onde não se salva vidas, só que não o fez de maneira tão estridente. Mas as multas espanholas são muito mais caras", explica Camps.
O senador italiano Gregorio De Falco lembra que, em 2014, no auge da operação Mare Nostrum, não havia ONGs no mar, já que as instituições - no caso a Marinha Militar da Itália - estavam presentes. "Quando há instituições, não se precisa de uma via alternativa. Foi a ausência de navios institucionais que criou a necessidade de que aquele vazio fosse preenchido. Não existem vazios na natureza", diz.
A missão europeia Sophia, herdeira da Mare Nostrum, não manda navios ao Mediterrâneo desde o início de 2019, em função do desacordo entre os Estados-membros sobre o destino dos migrantes resgatados. Enquanto isso, as ONGs continuam fazendo aquilo que julgam ser seu dever, sem se importar com as consequências.
"Estaremos aqui até que os governos façam seu trabalho. Temos que garantir a intervenção na fronteira marítima mais mortífera do planeta. Nós fomos ameaçados de morte e alvos de disparos dos líbios, bloqueados na Itália, perseguidos na Espanha, já estamos acostumados. O que mais podem nos fazer? Que o façam, já estamos assim há três anos", afirma Òscar Camps, fundador da ProActiva Open Arms.