No G20, Bolsonaro agradece Sánchez por atuação na prisão de brasileiro

OSAKA, JAPÃO (FOLHAPRESS) - Durante reunião de cúpula do G20, Jair Bolsonaro disse ter agradecido pessoalmente ao presidente espanhol Pedro Sánchez pela atuação das autoridades do país europeu no caso do sargento brasileiro preso com 39 kg de cocaína em Sevilha.

"Em primeiro encontro com o presidente da Espanha, Pedro Sánchez, aproveitei para agradecê-lo pelo modo como as autoridades espanholas estão lidando com o caso dos entorpecentes apreendidos em avião da FAB e reafirmei minha defesa por punição severa para o tráfico", escreveu Bolsonaro nas redes sociais.

O presidente brasileiro e o espanhol se encontraram brevemente durante almoço de trabalho que deu início ao encontro do G20. Eles não tinham uma bilateral agendada.

O presidente se refere à prisão do taifeiro Manoel Silva Rodrigues em Sevilha, na quarta-feira (26). Ele fazia parte de uma tripulação que ficaria na cidade espanhola para esperar Bolsonaro voltar do Japão.

Na quinta (27), o ministro-chefe do GSI, general Augusto Heleno, chamou de "desagradável" a coincidência da prisão com o início do G20.

"Podia não ter acontecido, né? Foi uma falta de sorte acontecer exatamente na hora de um evento mundial e acaba tendo uma repercussão mundial que poderia não ter tido. Foi um fato muito desagradável para todo mundo", disse Heleno.

Bolsonaro já tinha comentado sobre o assunto mais cedo, durante transmissão ao vivo semanal por suas redes sociais.

Ele disse que não deve ter sido a primeira vez que o Rodrigues transportou drogas em um avião da FAB.

Na visão de Bolsonaro, tudo indica que o militar está envolvido faz algum tempo com tráfico de entorpecentes, elogiou o governo espanhol e defendeu que o episódio passe por uma investigação rigorosa.

"Esse elemento, pelo que tudo parece, está há algum tempo envolvido nisso. Ninguém, em uma primeira viagem, coloca 39 quilos de entorpecente. E vamos investigar", ressaltou.

O presidente afirmou que até a sua bagagem pessoal passa por revista nas viagens em aeronaves da FAB (Força Aérea Brasileira) e considerou "muita coincidência" o episódio ter ocorrido no dia anterior à sua viagem ao Japão para participar de reunião do G20.

Bolsonaro disse também que o sargento "vai pagar um preço alto" e lembrou que ele já tinha viajado em aeronaves oficiais em governos anteriores. Segundo balanço feito pelo jornal Folha de S.Paulo, ele fez ao menos 29 viagens no país e no exterior entre 2011 e 2019.