Colômbia pede reunião de emergência sobre Venezuela; Evo defende Maduro; veja repercussão

O governo da Colômbia pediu uma reunião de emergência do Grupo de Lima, que reúne representantes de 14 países das Américas, para tratar da situação da Venezuela. Na madrugada desta terça-feira (30), os líderes opositores Juan Guaidó e Leopoldo López deram início a uma ação para tentar derrubar o ditador Nicolás Maduro. López, que estava em prisão domiciliar, foi para a rua ao lado de Guaidó. Ambos se dirigiram para a base aérea La Carlota, em Caracas, onde anunciaram o apoio de militares dissidentes e convocaram a população a se juntar a eles.


O presidente da Colômbia, Iván Duque, pediu que todos os militares venezuelanos se unam ao líder opositor Juan Guaidó. "Fazemos um chamado aos militares e ao povo da Venezuela para que se coloquem do lado certo da história, rechaçando a ditadura e a usurpação de Maduro", publicou em uma rede social.
O governo Maduro classificou o ato dos oposicionistas de uma tentativa de golpe de Estado.
O ditador Nicolás Maduro compartilhou em uma rede social uma postagem do comandante Remigio Ceballos. "Estamos vencendo contra um minúsculo grupo de desorientados e enganados! Lutaremos para garantir a paz", publicou.


Evo Morales, presidente da Bolívia, também criticou as ações de Guaidó e López. "Condenamos energicamente a tentativa de golpe de Estado na Venezuela por parte da direita que é submissa a interesses estrangeiros. Estamos certos de que a valorosa Revolução Bolivariana chefiada pelo irmão Nicolás Maduro se imporá a esse novo ataque do império", publicou em uma rede social.
"Os Estados Unidos buscam provocar violência e morte na Venezuela, sem se importarem com as perdas humanas, apenas com seus interesses. Devemos estar unidos para que os golpistas não voltem nunca mais à nossa região", disse Morales.


O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, por sua vez, disse que o país apoia uma transição democrática na Venezuela, e que espera que os militares venezuelanos apoiem Guaidó. O presidente Jair Bolsonaro convocou uma reunião de emergência, às 12h30, para tratar da crise no país vizinho.
As manifestações pró-Guaidó também ganharam a chancela dos EUA e da Europa. "O governo dos EUA dá apoio total ao povo venezuelano em sua busca por liberdade e democracia. A democracia não pode ser derrotada", publicou o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, em rede social.
O presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, disse que se trata de um dia histórico. "Hoje, 30 de abril, marca um momento histórico para a volta da democracia e da liberdade na Venezuela", disse.
Já o governo da Espanha, que reconhece Guaidó como líder legítimo da Venezuela, pediu, por meio da porta-voz Isabel Celáa, "com todas as nossas forças que não se produza um derramamento de sangue".
"A solução para a Venezuela tem que vir por um movimento pacífico, por eleições democráticas", acrescentou Celáa.


O Reino Unido reafirmou que reconhece Guaidó como presidente interino, e também defendeu uma resolução pacífica da crise.
Cuba rejeitou a ação e chamou os opositores de traidores. "Rejeitamos este movimento golpista que pretende encher o país de violência", escreveu o líder da ditadura cubana, Miguel Díaz-Canel. "Os traidores que se colocaram à frente deste movimento subversivo utilizaram tropas e policiais com armas de guerra em uma via pública da cidade para criar ansiedade e terror."
O México disse que está em consultas com outros 16 países por meio do Grupo de Montevidéu para buscar um caminho comum para a crise, e que teme uma possível escalada da violência. Este grupo reúne países que apoiam Maduro ou são neutros.
Luís Almagro, secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), entidade que reúne os países das Américas, elogiou a ação de Guaidó.
"Saudamos a adesão de militares à Constituição e ao presidente encarregado da Venezuela, Juan Guaidó. É necessário o mais pleno respaldo ao processo de transição democrática de forma pacífica", publicou em uma rede social.


RÚSSIA ACUSA OPOSIÇÃO


Um dos principais aliados do ditador Nicolás Maduro, o governo da Rússia criticou nesta terça a oposição venezuelana e pediu que os dois lados sentem para negociar uma saída para a crise no país.
"A oposição radical na Venezuela retornou mais uma vez aos métodos violentos de confronto", disse o Ministério de Relações Exteriores da Rússia em nota.


"Em vez de resolver suas diferenças políticas pacificamente, eles decidiram incentivar o conflito e provocar a quebra da ordem pública e enfrentamento com as Forças Armadas", afirmou o comunicado.