Pompeo fica sem prêmio por atitude dos EUA no caso Khashoggi

A James Foley Foundation, batizada em homenagem a um jornalista americano assassinado pelo grupo Estado Islâmico (IS), decidiu na último hora privar o secretário de Estado Mike Pompeo de um prêmio de prestígio, por causa da atitude de Washington em relação ao assassinato de Jamal Khashoggi na Turquia.

O chanceler americano foi escolhido para receber a recompensa atribuída anualmente a um eminente defensor da causa dos reféns.

A fundação criada pela mãe de Foley, que foi decapitado pela EI em 2014 depois de ser mantido como refém, mudou de posição e retirou o convite para Pompeo para a cerimônia realizada em 2 de abril.

Nos últimos dias, a mídia e o próprio Pompeo disseram que a organização estava sofrendo pressões.

"Parece que alguns meios que financia o evento, patrocinadores do evento, disseram: 'se Pompeo estiver aqui, não iremos', disse o secretário de Estado à Fox News na sexta-feira. "É triste ... o retorno dos reféns não é uma questão partidária", disse ele.

Em um comunicado também divulgado na sexta-feira pela fundação explicou que mudou sua postura porque o governo americano "não pressionou para que o governo saudita preste realmente contas sobre o brutal assassinato de Jamal Khashoggi".

O ex-colaborador do Washington Post foi morto em outubro passado por um grupo de agentes que chegaram de Riad no consulado saudita em Istambul, na Turquia.

Mas, apesar de o Senado ter denunciado a responsabilidade do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, o governo de Donald Trump, com Pompeo à frente, estimou que faltavam elementos suficientes para acusar os condutores da monarquia.

"Além da ação para o retorno de reféns americanos mantidos no exterior, a proteção da liberdade de expressão e a promoção da segurança dos jornalistas são pilares de nossa fundação e essa recompensa estaria em conflito com esses princípios-chave", explicou a organização em sua declaração.

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