Talibãs negam debate com EUA sobre cessar-fogo no Afeganistão

Os talibãs negaram nesta sexta-feira, de forma indireta, terem abordado um possível cessar-fogo no Afeganistão e um diálogo com o governo de Cabul durante as conversações em Doha com representantes americanos, como afirmou Washington.

Ao contrário dos aspectos "externos" do conflito, como "a retirada de todas as forças de ocupação do Afeganistão e a proibição para o Afeganistão de prejudicar os outros", as "demais questões de caráter interno e que não estão relacionadas com os Estados Unidos não integram o objeto das discussões", afirmou o porta-voz dos insurgentes, Zabihula Mujahid, em um comunicado.

Na terça-feira, o porta-voz da diplomacia americana, Robert Palladino, havia afirmado o contrário em Washington.

As discussões de Doha abordam "os quatro pontos vinculados entre si que serão parte de qualquer acordo futuro: antiterrorismo, retirada das tropas (americanas), diálogo afegão e cessar-fogo", indicou.

O novo ciclo de negociações começou em 25 de fevereiro. O processo conta pela primeira vez com a presença de um dos principais dirigentes talibãs, o mulá Abdul Ghani Baradar, cofundador do movimento, e é um dos mais longos com a participação das duas partes.

Zabihula Mujahid afirmou que os diálogos buscam "definir os detalhes das duas questões abordadas em um acordo na última série de negociações em janeiro", ou seja, a retirada dos soldados americanos e a promessa talibã de impedir que o Afeganistão sirva de base terrorista para a execução de ataques no exterior.

Os diálogos foram interrompidos nesta sexta-feira, dia de descanso para os muçulmanos, indicou o porta-voz talibã em outra mensagem, mas serão retomados no sábado.

Os talibãs sempre rejeitaram uma negociação com o governo de Cabul, que chamam de "marionete" de Washington.

"Foram registrados avanços, mas ainda resta muito trabalho", afirmou Palladino durante a semana.

Na quinta-feira, o general Joseph Votel, comandante das forças americanas no Oriente Médio, declarou que a atual situação no Afeganistão não condiz com uma retirada das forças da coalizão.

Uma retirada deverá estar acompanhada por "avanços políticos", ressaltou o militar americano, em referência às negociações, que não contam com a participação do governo afegão.

 

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