Venezuela expulsa embaixador

CARACAS - O governo da Venezuela declarou ontem o embaixador alemão, Martin Kriener, "persona non grata", e deu 48 horas para que deixe o país após ele recebeu o líder da oposição, Juan Guaidó, no aeroporto na segunda-feira.

Em comunicado, o governo diz que sua decisão se deve a "recorrentes atos de ingerência nos assuntos internos do país" pelo diplomata, que "em desacato compareceu ao aeroporto internacional de Maiquetía para testemunhar a chegada do deputado Juan Guaidó".

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Embaixador da Alemanha em Caracas, Daniel Kriener, ao lado do líder opositor Juan Guaidó (Foto: Federico Parra/AFP)

"A Venezuela considera inaceitável que um representante diplomático estrangeiro exerça em seu território um papel público mais típico de um líder político em clara sintonia com a agenda conspiratória de setores extremistas da oposição venezuelana", diz ainda a nota.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Heijko Maas, advertiu em um comunicado que a expulsão do embaixador "agrava a situação" na Venezuela. "É uma decisão incompreensível", destacou Maas na nota.

Sanções agravam situação, diz ONU

A alta comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, afirmou ontem que a crise política, econômica e social na Venezuela tem sido "exacerbada pelas sanções" internacionais.

"A situação na Venezuela ilustra claramente a maneira como as violações dos direitos civis e políticos - incluindo a não defesa das liberdades fundamentais e a independência das instituições chave - podem acentuar um declínio dos direitos econômicos e sociais", declarou Michelle Bachelet ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU.

"Isto mostra também como a rápida deterioração destas condições econômicas e sociais provoca um número ainda maior de protestos, uma repressão ainda maior e novas violações dos direitos civis e políticos", completou.

Para Bachelet, "esta situação foi exacerbada pelas sanções e a atual crise política, econômica, social e institucional resultante é alarmante".

O Conselho dos Direitos Humanos da ONU voltará a tratar de modo mais profundo a situação na Venezuela no dia 20 de março, na presença da alta comissária. Bachelet foi convidada em novembro por Caracas a viajar a Venezuela para "ver os efeitos das sanções".

O discurso da alta comissária foi feito no momento em que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, convocou protestos para 9 de março, quatro anos depois do anúncio das primeiras sanções impostas pelo então presidente americano Barack Obama.

Na terça-feira, o representante especial dos Estados Unidos para a crise na Venezuela, Eliott Abrams, anunciou que Washington deve impor em breve novas restrições de vistos americanos aos que apoiam Maduro.

Além disso, não descartou que, após as sanções impostas ao regime, o Tesouro americano possa adotar "sanções secundárias" contra empresas estrangeiras ou até mesmo países que continuem negociando com entidades venezuelanas na lista negra dos EUA.

Vinte anos após a chegada ao poder de Hugo Chávez, falecido em 2013, Maduro enfrenta uma onda de protestos liderada pelo opositor e presidente do Parlamento, Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por parte da comunidade internacional. Quase 2,7 milhões de venezuelanos fugiram do país desde o início da crise política e econômica em 2015, de acordo com a ONU.