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Escalada de violência

Potências nucleares, Índia e Paquistão voltam a se enfrentar na região da Caxemira

STR/AFP -
Soldados paquistaneses ao lado de supostos destroços de caça indiano derrubado na Caxemira
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CAXEMIRA - Sob tensão desde 1948, quando Índia e Paquistão se tornaram independentes do império britânico, a região da Caxemira passa por um mês de reavivamento do conflito. Dividida entre os dois países, a localidade viu, nos últimas dias, a morte de dezenas de civis e, ontem, a queda de dois aviões militares - um indiano e um paquistanês. O temor de um conflito nuclear assusta a comunidade internacional.

A Índia anunciou ontem que derrubou um avião paquistanês durante um confronto em que uma de suas aeronaves foi abatida pelo Paquistão. Segundo os indianos, três aeronaves do país vizinho teriam cruzado a "linha de controle" que divide a região da Caxemira entre as duas nações. O Paquistão disse ter fechado o espaço aéreo "até nova ordem". Ao menos seis aeroportos também foram paralisados na Índia.

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Soldados paquistaneses ao lado de supostos destroços de caça indiano derrubado na Caxemira (Foto: STR/AFP)

As tensões, que se reacenderam no dia 14 de fevereiro, quando um grupo terrorista paquistanês fez um atentado suicida na parte indiana da Caxemira, deixando ao menos 42 civis mortos, ganharam uma nova faísca na terça-feira, quando a Índia realizou um ataque aéreo contra um suposto campo de treinamento do grupo extremista Jaish-e-Mohammed (JeM, exército de Maomé), que assumiu a autoria do ataque na Índia, localizado no território do país vizinho. Os paquistaneses condenaram a ação e consideraram uma "agressão ao Paquistão". A tensão preocupa a comunidade internacional, que teme um conflito aberto entre os dois países, que possuem armamento nuclear.

Autoridades das duas nações adotaram um tom apaziguador. "Podemos nos permitir um passo em falso com o tipo de armas que temos e que vocês têm? Se a escalada começar, até onde irá?", disse o primeiro-ministro paquistanês Imran Khan, que voltou a pedir à Índia que "vá à mesa de negociações". A ministra de Relações Exteriores do país hindu, Sushma Swaraj, disse que "a Índia não deseja a escalada".

O primeiro enfrentamento entre os países ocorreu entre 1947 e 1949 e deixou milhares de mortos. A eclosão do conflito se deu pela independência dos principados que formavam a colônia do Reino Unido na região. As localidades poderiam escolher integrar a Índia (hindu) ou o Paquistão (islâmico). Na província Jammu e Caxemira, que tinha maioria muçulmana e governador hindu, a decisão seria criar um terceiro país, mas, com a revolta por parte de militantes pró-Paquistão e a reação do governador pró-Índia, a Caxemira foi dividida. Cerca de 60% do território ficou sob comando da Índia e o resto foi para o Paquistão. Uma pequena região ficou sob domínio chinês.

Desde o cessar-fogo em 1949 a ONU atua na região com missões de paz permanentes. No ano passado, o Escritório de Direitos Humanos pediu a apuração de "violências múltiplas" que ocorreram nos 70 anos de conflito.

Bollywood proibida

Em resposta à escalada de violência, a Associação de Exibidores de Cinema do Paquistão decidiu boicotar os filmes de Bollywood - a Hollywood indiana. "Nenhum filme indiano será exibido no Paquistão", disse Fawad Chaudhry, ministro da Informação, no Twitter. O dirigente ainda disse que instruiu a Autoridade Reguladora de Mídia Eletrônica do Paquistão a não exibir propagandas indianas na televisão. No ano passado, a Suprema Corte do país reinstalou um banimento da transmissão de qualquer conteúdo indiano na TV local.

Do outro lado da fronteira, a Associação de Trabalhadores do Cinema anunciou no dia 18 de fevereiro - quatro dias após atentado - a proibição total de atores e artistas paquistaneses na indústria cinematográfica indiana.