Kim Jong Un e Donald Trump a caminho do Vietnã para segunda cúpula

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong Un, estavam na segunda-feira (25) a caminho de Hanói, onde planejam realizar sua segunda cúpula entre quarta e quinta-feira.

Esta reunião é aguardada com grande expectativa pela comunidade internacional com a perspectiva de alcançar progressos concretos na desnuclearização da península coreana.

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Donald Trump (Foto: MANDEL NGAN / AFP)

De seu avião, o Air Force One, Trump recorreu ao Twitter para enviar uma mensagem de otimismo: "Eu espero uma Cúpula muito produtiva".

Pouco antes, no entanto, ele havia mencionado novamente o desarmamento nuclear da Coreia do Norte. "Com a completa desnuclearização, a Coreia do Norte pode ser uma potência econômica, mas sem ela será apenas mais do mesmo".

"Presidente Kim, tome a decisão correta!", acrescentou.

Enquanto isso, Kim continuou nesta segunda-feira sua longa jornada em um trem blindado em território chinês para chegar ao Vietnã.

A viagem do líder norte-coreano, no entanto, está cercada por um enorme mistério e rigorosas medidas de segurança, a ponto de expulsar numerosas pessoas de cidades e estações ferroviárias por onde passa seu comboio blindado.

Esta estação, fechada ao público e vigiada por guardas armados, o líder norte-coreano deverá se dirigir à Hanói por estrada, fechada na terça-feira entre 06H00 e 14H00 (04H00 e 12H00 no horário de Brasília).

Fontes que solicitaram ou anonimato no o Vietnã vazaram para a imprensa que a viagem de trem de Kim terminará em Dong Dang e que de lá o líder norte-coreano viajará pela até Hanói por estrada.

Se este trajeto for confirmado, o trem blindado terá percorrido uma distância de 4.000 quilômetros de Pyongyang até Dong Dang.

 

Com a aproximação dos dois líderes, a expectativa da comunidade internacional sobre os resultados concretos também aumenta.

Kim e Trump realizaram se reuniram em Singapura no ano passado, que terminou com uma vaga declaração sobre os esforços de Pyongyang para avançar para o desarmamento nuclear, mas sem prazos ou metas claros.

A Coreia do Norte assegura que já fez gestos na direção da desnuclearização, como o congelamento dos teste militares e a destruição dos acessos às instalações onde realizada testes nucleares.

Nesta segunda-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou sua esperança de que este segundo encontro entre Kim e Trump se encerre com "medidas concretas" para o desarmamento nuclear da península coreana.

Ao discursar na Conferência sobre Desarmamento em Genebra, Guterres disse que espera que os dois líderes consigam "medidas concretas para uma desnuclearização durável, pacífica, completa e verificável" da península coreana.

No entanto, durante uma cerimônia realizada no domingo na Casa Branca, Trump parecia interessado em reduzir as expectativas de um acordo global.

"As sanções continuam, tudo continua como está, mas temos um sentimento especial e acho que isso levará a algo bom. Mas talvez não", disse ele.

"Há realmente uma oportunidade para fazer algo muito, muito especial", afirmou Trump, assegurando que não cederá e que as sanções vão continuar em vigência.

Por trás de Trump, por outro lado, as pressões do Congresso estão aumentando constantemente para que o chefe da Casa Branca adote uma postura mais firme.

O influente senador Marco Rubio, por exemplo pediu que Washington "maximize" as pressões sobre Pyongyang.

"Os negociadores americanos devem pressionar por um acordo forte que desmantele completamente, de forma verificável e irreversível, os programas nucleares e de mísseis da Coreia do Norte", disse ele em um comunicado divulgado logo após o avião de Trump decolar para o Vietnã.

Segundo Harry Kazianis, do grupo conservador Center for the National Interest, as duas partes deveriam realizar "ao menos um passo à frente na direção da desnuclearização", porque "nada seria pior para ambos que sair de reunião tendo perdido tempo".

"Trump vai focar num discurso segundo o qual obteve a paz, ao invés de pressionar Kim para a desnuclearização", prevê Scott Seaman, analista do Eurasia Group.

Para Kim Yong-hyun, da Universidade Dongguk, o melhor resultado seria que os dois líderes definissem um roteiro para a desnuclearização.

Washington poderia prometer segurança em foram de uma declaração oficial sobre o fim da Guerra da Coreia (1950-53), que terminou com um armistício.

A presidência sul-coreana considerou como confiável essa possibilidade. "Acredito que existe uma possibilidade real", disse seu porta-voz, Kim Eui-kyeom.

O líder norte-coreano poderia aproveitar sua estadia no Vietnã para visitar zonas industriais nas províncias de Quang Ninh e Bac Ninh, donde há uma fábrica da Samsung.

A Coreia do Norte, que conduz há anos reformas para aliviar um pouco o peso do Estado, poderia estar interessada no modelo econômico do Vietnã, país comunista onde o governo mantém o controle total do poder, mas se beneficia da economia de mercado.