Ajuda humanitária não entra e Maduro faz duro discurso

Em Caracas, Maduro canta vitória

CARACAS - Em longo discurso a uma legião de apoiadores, Nicolás Maduro desafiou o presidente americano Donald Trump e o autoproclamado presidente Juan Guaidó, disse ter "vencido o golpe" por ter freado os planos opositores de ajuda humanitária e rompeu relações com a Colômbia.

Em discurso a uma multidão que se reunia na capital, Maduro fez um discurso de quase duas horas, e afirmou que seguirá "mais firme" depois de "vencer o golpe". "Eu disse, antes e depois dos 30 dias, o golpe fracassou, os derrotamos em uma união cívico-militar. A vitória nos pertence", disse. "Estou mais firme do que nunca. Estou de pé governando agora e por muitos anos. Quando eu carrego as rédeas da pátria, faço em nome de estudantes, mulheres, militantes, trabalhadores e camponeses. Estamos defendendo as fronteiras da Pátria e o direito a ser livres, soberanos e independentes. Não é tempo de traição senão de lealdade à Pátria e aos ideais supremos da Venezuela", completou. Maduro ainda fez um apelo aos chavistas que defendam seu legado caso ele seja morto.

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Mulher segura placa contra Trump em ato (Foto: Yuri Cortez/AFP)

O comício tinha como lema "Hands Off Venezuela" (Tire as mãos da Venezuela) e o presidente não poupou Donald Trump e Juan Guaidó. "Com quem Trump se solidarizou até hoje? Ele odeia os povos da América Latina e Caribe. Por isso quer construir o muro no México. É hora do povo dizer: 'tire suas mãos da Venezuela! Go home, Donald Trump!'", afirmou. "Estamos esperando pelo senhor (Guaidó), fantoche palhaço, fantoche do imperialismo americano e mendigo. Guaidó disse que convocaria eleições, mas cadê a convocação? Já fazem 30 dias que ele se disse presidente", completou.

Guaidó foi à Colômbia para o show bancado por Richard Branson desrespeitando uma determinação do Tribunal Superior de Justiça e pode ser preso caso retorne ao país.

Maduro, que já chamou o presidente brasileiro de "fascista", poupou o governo Bolsonaro e disse estar disposto a comprar o que o país está estocando em Roraima. "Mandei uma mensagem ao Brasil dizendo que estamos dispostos, como sempre estivemos, a comprar todo o arroz, todo o açúcar, todo o leite em pó, toda a carne que vocês queiram vender. Não somos mendigos, somos gente honrada", disse. Com a cautela do Brasil, conduzida pelo vice-presidente general Hamilton Mourão e pela ala militar do governo, parece ter-se aberto uma porta de diálogo entre os países vizinhos.

Outro alvo de Maduro foi a Colômbia, principal palco dos embates fronteiriços. "Decidi romper todas as relações políticas e diplomáticas com o governo fascista da Colômbia e todos os seus embaixadores e cônsules devem sair em 24 horas da Venezuela. Fora daqui, oligarquia!", disse. Ele ainda atacou pessoalmente o presidente colombiano: "Você é o diabo, Iván Duque. Vade retro satanás!". Oficialmente, a Colômbia não reconheceu o rompimento, mas decidiu chamar de volta o seu pessoal diplomático.