Rússia, Irã e Turquia se reúnem para discutir conflito na Síria

Os presidentes da Rússia, Irã e Turquia se reúnem nesta quinta-feira na cidade russa de Sochi para tentar encontrar uma solução para o conflito na Síria, onde os jihadistas do Estado Islâmico (EI) estão cercados em seu último reduto antes da retirada militar planejada pelos Estados Unidos.

A Síria, onde oito anos de guerra deixaram mais de 350.000 mortos, está esta semana no centro de várias reuniões diplomáticas.

Em Munique, Alemanha, a coalizão contra o EI também está reunida e, em Varsóvia, Polônia, há uma conferência sobre o Oriente Médio com a participação do secretário de Estado americano Mike Pompeo e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Na cidade russa de Sochi, às margens do Mar Negro, o russo Vladimir Putin e o iraniano Hassan Rohani, aliados do regime de Damasco, bem como o turco Recep Tayyip Erdogan, que apoia os rebeldes sírios, estudarão iniciativas de diálogo entre as partes do conflito na Síria.

A Rússia, anfitriã da cúpula, é um ator fundamental no conflito desde 2015, quando começou a intervir militarmente na Síria para apoiar o regime de Bashar Al Assad, que agora controla cerca de dois terços do país.

O chamado "processo Astana", patrocinado pela Rússia, Irã e Turquia, foi ofuscado pelas negociações lideradas pela ONU, que, no entanto, não conseguiram uma solução definitiva para o conflito.

De acordo com o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, a cúpula entre os presidentes desses três países discutirá a criação de um comitê encarregado de redigir uma nova constituição para a Síria em face de uma transição política.

Em dezembro, a ONU admitiu ter deixado de formar este comitê por causa dos problemas com as mudanças propostas pelo governo sírio na lista de nomes.

Esta é a quarta cúpula desde novembro de 2017 entre Rússia, Irã e Turquia.

Na Síria, os combatentes curdos e árabes das Forças Democráticas da Síria (SDF), com o apoio da coalizão liderada pelos EUA, lançaram sua ofensiva "final" no sábado contra o último reduto jihadista na província de Deir Ezzor.

Após as conquistas de 2014 e a proclamação do "califado" em grandes regiões da Síria e do Iraque, os jihadistas, que passaram a controlar as grandes cidades, estão agora reduzidos em um pequeno setor de poucos quilômetros quadrados.

Uma vitória contra o EI abriria o caminho para a retirada, anunciada pelo presidente Donald Trump em dezembro, dos 2.000 militares dos EUA mobilizados na Síria para ajudar a SDS contra os jihadistas.

Mas no momento, Washington não especificou nenhum calendário.

A última cúpula entre os três presidentes ocorreu em setembro, no Irã, quando ficaram evidentes os desacordos sobre o futuro da província síria de Idlib (noroeste), onde várias facções rebeldes coabitam e que escapam no momento ao controle das forças de Assad.

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