El Chapo condenado

NOVA YORK - O mexicano Joaquín Guzmán Loera, mais conhecido como “El Chapo”, foi condenado ontem por um juri nos Estados Unidos por todos os dez crimes que havia sido indiciado. A expectativa é de que o bilionário narcotraficante receba pena de prisão perpétua.

Depois de mais de três meses de julgamento em Nova York, com depoimentos de 56 testemunhas, sendo 14 ex-sócios do narcotraficante, o júri finalmente deu seu veredicto condenando El Chapo aos dez crimes de narcotráfico, posse de armas e lavagem de dinheiro dos quais foi acusado. A principal acusação é por El Chapo dirigir o Cartel de Sinaloa, dedicado a comprar drogas ilegais na Colombia, no Equador, no Panamá e no Triángulo Dourado mexicano (formado pelos estados de Durango, Sinaloa e Chihuahua) e revendê-las para os Estados Unidos.

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Joaquin"El Chapo" Guzman extraditado do México em 2017 para os Estados Unidos (Foto: HO/Ministério do Interior do México/AFP)

Pela gravidade desse crime, a lei americana já prevê prisão perpétua para o mexicano de 61 anos. A sentença, a ser proferida pelo juiz Brian Cogan, será dada
no dia 25 de junho. A defesa anunciou que apelará do veredicto do júri.
Guzmán foi o primeiro narcotraficante a ser julgado nos EUA. Outros já chegaram a ser extraditados, mas ao se declararem culpados, não passavam pelo julgamento e eram diretamente sentenciados. Segundo as autoridades americanas, “El Chapo” foi responsável pela entrada de cerca de 200 toneladas de cocaína nos EUA.

O condenado chegou a ser rankeado na lista de bilionários da revista Forbes em 2009, com uma conta bancária de US$ 1 bilhão. Segundo o “New York Times”, o mexicano chegou a ganhar cerca de US$ 14 bilhões em suas transações, formado, segundo promotores dos EUA, por suborno, assassinato e contrabando de drogas.
Pequeno gigante

O apelido do segundo homem mais procurado do mundo durante os anos 2000 - perdendo apenas para Osama Bin Laden - se deve à pouca estatura do bilionário (1,52m). “Chapo” é uma gíria mexicana para “baixinho”. Reconhecido pelos amigos como um homem de carisma e inteligência extraordinários, conseguiu fugir algumas vezes da prisão de forma cinematográfica depois de conquistar a simpatia e subornar os funcionários.

O traficante foi preso pela primeira vez na Guatemala, em 1993. Em 2001, já em solo mexicano, realizou sua primeira fuga escondido dentro de um cesto de roupas sujas. Em 2014 foi capturado no seu país natal pelas autoridades mexicanas - com apoio dos EUA -, mas fugiu no ano seguinte por um monumental túnel de 1.500 metros que ligava o box de chuveiro da sua cela a um imóvel em obras.

A última prisão do baixinho foi em 2016, no México. No ano seguinte foi extraditado para os Estados Unidos pelo presidente Enrique Peña Nieto, após a Justiça do país reconhecer ser incapaz de detê-lo. O mandatário chegou a ser acusado de receber suborno de US$ 100 milhões de Guzmán.

 


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