Chefe do Pentágono viaja a Bagdá para tranquilizar autoridades iraquianas

O chefe do Pentágono, Patrick Shanahan, tenta nesta terça-feira tranquilizar as autoridades iraquianas sobre o futuro dos militares americanos no país, após a retirada da Síria e o anúncio de Donald Trump de querer "vigiar o Irã" a partir do Iraque.

Depois que Bagdá declarou a vitória sobre os extremistas islâmicos há um ano e no momento em que as forças curdas conduzem o ataque "final" contra o Estado Islâmico (EI) na Síria, aumentam os apelos para a retirada dos soldados americanos no Iraque.

Procedente do Afeganistão, o secretário interino da Defesa americano, Patrick Shanahan, que realiza sua primeira viagem internacional após sua nomeação no início de janeiro, chegou a Bagdá para acalmas as autoridades iraquianas após as declarações de Trump.

 

 

Para isso, Shanahan vai se reunir com o primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi, assim como com oficiais militares de alto escalão para "ouvir diretamente o que os preocupa", disse.

"Estamos no Iraque a convite do governo", assegurou Shanahan, acrescentando que o que Washington procura é "construir uma capacidade de segurança iraquiana".

Um alto funcionário do Pentágono, que pediu anonimato, insistiu que a "principal atividade militar" dos Estados Unidos no Iraque é "a missão contra o EI".

O Iraque "tem que saber que estamos comprometidos e que a continuação de nossa presença com as forças de segurança é crucial para que continuem mantendo a segurança", apontou.

Mas as declarações de Trump sobre a "vigilância" do Irã a partir do Iraque causaram rebuliço mesmo entre os aliados tradicionais de Washington, grande inimigo de Teerã, e deram um novo impulso à campanha exigindo a retirada das tropas dos EUA.

Nesse contexto, o parlamento registrou um projeto de lei para estabelecer um cronograma para a retirada dessas tropas.

Essa lei poderia ser apoiada pelas duas principais forças políticas, a lista liderada pelo líder xiita Moqtada Sadr, defensor da independência do Iraque, e o bloco pró-iraniano apoiado por milícias que combateram o EI com as forças de segurança.

Na segunda-feira, em uma coletiva de imprensa conjunta, essas duas forças pediram um "novo acordo" para estabelecer uma estrutura sobre a presença de tropas estrangeiras no Iraque, começando pelas americanas.

Os Estados Unidos invadiram o Iraque em 2003 e derrubaram o presidente Saddam Hussein, provocando uma revolta de parte da população.

Em 2011, os Estados Unidos, que haviam mobilizado até 170 mil soldados no Iraque, retiraram-se do país.

No entanto, em 2014, Washington voltou a enviar tropas para combater o EI.

 

 

Após seu apogeu em 2014 e a proclamação de um "califado" entre a Síria e o Iraque, o EI viu seu território encolher, chegando atualmente a menos de 1%.

Segundo Trump, o "anúncio formal de que retomamos 100% do califado" poderia acontecer esta semana.

Shanahan também deve se reunir com oficiais militares dos Estados Unidos na região, como o general Paul LaCamera, comandante das forças da coalizão anti-EI, para discutir as modalidades de retirada de suas tropas da Síria.

Embora não tenha informado um cronograma de saída, o chefe do Pentágono apontou que "toda vez que há operações militares importantes e que nos retiramos, elas precisam ser reforçadas por operações de segurança".

Questionado sobre o futuro dos curdos na Síria que atualmente conduzem uma ofensiva contra o EI, com o apoio dos Estados Unidos, ele argumentou que os países aliados têm um papel mais importante, especialmente em termos de ajuda econômica.

"As negociações no nível militar estão indo muito bem e há muita coordenação no nível político", acrescentou.

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