Norte dos Estados Unidos sofre com onda de frio polar

O norte dos Estados Unidos sofreu na quinta-feira (31) com temperaturas polares que obrigaram as autoridades, pelo segundo dia consecutivo, a fechar escolas, suspender voos e viagens de trens, e abrir refúgios de emergência para os mais vulneráveis.

Provocada pelo vento polar do Ártico que afeta quase 60 milhões de pessoas, a onda de frio deixou pelo menos 10 mortos, segundo um balanço atualizado. As temperaturas chegaram a 45 graus negativos em alguns pontos.

O abastecimento de gás natural estava sob ameaça em Michigan e Minnesota. Tubulações de água congelada quebraram em Detroit e partes do Canadá.

Mais de 2.300 voos domésticos e internacionais foram cancelados na quinta-feira. A companhia ferroviária Amtrak espera retomar os serviços depois de ter cancelado todas as viagens a partir de Chicago na quarta-feira.

O Serviço Postal suspendeu a entrega de correspondência em vários estados.

A temperatura deve subir nesta sexta-feira, mas o frio não vai ceder rapidamente em pelo menos 12 estados.

"Ainda não terminou. Temos mais 24 horas em que o clima estará em níveis perigosos", disse a governadora do Michigan, Gretchen Whitmer.

"A temperaturas devem iniciar uma lenta moderação, enquanto a massa de ar começa a aquecer", anunciou o Serviço Meteorológico Nacional.

A previsão é de que a temperatura oscile entre -29ºC e -46ºC em algumas regiões.

Chicago registrou na quarta-feira o segundo dia mais frio da história da cidade, e moradores citaram "terremotos de gelo". O canal local WGN afirmou que o fenômeno provavelmente foi provocado pela água congelada.

 

Funcionários de vários estados alertaram que o frio deve ser levado a sério, diante do risco de hipotermia e congelamento em poucos minutos de exposição.

"Passamos da neve às temperaturas geladas e um vento frio", disse o prefeito de Chicago, Rahm Emanuel.

A meteorologia alertou sobre um "frio extremo e perigoso".

Centenas de abrigos receberam pessoas vulneráveis, moradores de rua e idosos.

Entre as vítimas fatais está um estudante da Universidade de Iowa de 18 anos, encontrado nos fundos de um prédio do campus na quarta-feira, quando a temperatura chegou a -46°C.

"Lembrem de entrar em contato com os vizinhos e parentes para informar que estão a salvo do tempo terrivelmente frio", tuitou o governador de Illinois, J.B. Pritzker.

Sob a determinação da governadora de Michigan, os prédios públicos ficarão fechados até sexta-feira e funcionários de serviços não essenciais deverão ficar em suas casas. Além disso, a população deve economizar gás.

Em Detroit, três montadoras suspenderam, ou reduziram, as atividades para diminuir o consumo de gás.

No Twitter, a prefeitura de Chicago lançou a hashtag #StayWarmChicago (#PermaneçaAquecidaChicago, em tradução literal), para estimular a população a ficar em casa e se proteger.

Mais de 270 "centros de aquecimento" foram montados em prédios públicos, centros sociais, bibliotecas e até delegacias de polícia para acolher quem precisa de um lugar quente, sobretudo, os cerca de 16.000 desabrigados da cidade.

A empresa de transporte Lyft passou a oferecer corridas de até 15 dólares para os clientes que desejarem seguir para esses abrigos.

Em Minneapolis e Saint-Paul, vários abrigos permanecerão abertos 24 horas por dia.

O degelo nessas regiões está previsto para o fim de semana, quando a onda de frio se dirige para a Costa Leste. Quedas de temperatura e nevascas são esperadas no Maine e na Pensilvânia.

No Canadá, um alerta de frio extremo foi emitido para Winnipeg (centro), com temperaturas que podem chegar a 40 graus negativos.

"Está mais frio em Winnipeg do que na Sibéria", destacou o canal CTV.