União Europeia: Europa sem consenso

BUCARESTE - Apesar de forte pressão dos Estados Unidos e de recomendação de uma câmara do Parlamento Europeu, a União Europeia ainda não chancelou o reconhecimento de Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. Os líderes do Velho Continente estabeleceram ontem um Grupo de contato para lidar com a crise na Venezuela, com o objetivo de realizar "eleições livres e democráticas" no país.

Na última semana, um grupo de países europeus - França, Alemanha, Reino Unido e Espanha - deu um ultimato ao presidente Nicolás Maduro para que convoque novas eleições até domingo no país, senão passariam a apoiar Juan Guaidó, autodeclarado presidente interino. Apesar do total rechaço expressado pelo chavista à proposta, a União Europeia segue cautelosa quanto ao oposicionista.

Reunidos ontem na Romênia, os ministros de relações exteriores dos países da UE estabeleceram a criação de um "Grupo de Contato Internacional" para "acompanhar" eleições na Venezuela. O anúncio foi feito pela chefe de diplomacia do bloco, Fernanda Mogherini. "O objetivo do grupo é claro. É permitir aos venezuelanos que se expressem livre e democraticamente através de novas eleições. Não se trata de mediar", disse. O grupo - com prazo de 90 dias - já tem confirmação de França, Alemanha, Itália, Espanha, Portugal, Suécia, Holanda, Reino Unido, Equador, Costa Rica, Uruguai e Bolívia.

Mogherini disse que é possível que haja novas sanções contra o país e ainda afirmou que "não cabe à UE" o reconhecimento de Juan Guaidó como interino, mas a cada país individualmente. Para que houvesse um reconhecimento era necessário um consenso entre os 28 países - e a declaração indica que não há.

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Chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, anuncia "grupo de contato" sobre Venezuela (Foto: Daniel Mihailescu/AFP)

Ontem, o governo Maduro se envolveu em um polêmica jornalistas. Comunicadores da França, Espanha e Chile foram detidos e alguns foram deportados. Segundo o chanceler Jorge Arreaza, eles estavam sem licença para atuar profissionalmente no país e denunciou uma "campanha midiática". Três jornalistas da agência "EFE" conseguiram reverter a situação e continuarão na Venezuela. O líder oposicionista Juan Guaidó também denunciou ontem estar sendo intimidado por funcionários das Forças de Ações Especiais (FAES).

Ontem foi a vez dos chavistas de manifestarem em defesa de Nicolás Maduro e contra uma intervenção do país. Trabalhadores da estatal de petróleo PDVSA tomaram Caracas em uma "Grande Marcha Anti-imperialista".

Previsões de Mourão

O vice-presidente general Hamilton Mourão deu ontem declaração afirmando que os militares venezuelanos abandonarão Maduro em breve. "Nós, militares, em todos os lugares do mundo, entendemos que tem um limite até onde a gente pode ir. Acho que eles estão entendendo que esse limite chegou", disse. Segundo Mourão, a situação da Venezuela só irá se resolver quando os oficiais "se derem conta" de que precisam abandonar o governo. "A partir do momento em que as Forças Armadas venezuelanas se derem conta disso aí e oferecerem uma saída para o Maduro e o grupo dele, se resolve", analisou.