Rússia opta por 'transparência' ao apresentar míssil questionado pelos EUA

O Exército russo optou pela "transparência" nesta quarta-feira (23), ao apresentar o sistema de mísseis que os Estados Unidos acusam de desrespeitar o Tratado Nuclear de Mísseis de Médio Alcance (INF, sigla em inglês).

Diante de jornalistas reunidos no parque Patriota, a 50 km de Moscou, autoridades do Exército russo descreveram em detalhes o sistema de mísseis 9M729, insistindo em que seu alcance máximo é de "480 km", em conformidade com o INF.

"O alcance do míssil foi confirmado durante exercícios estratégicos" em 2017, disse à imprensa um alto comando militar russo, o general Mikhail Matveevski, ao se referir a esse sistema russo de mísseis terrestre que podem transportar uma ogiva nuclear.

O míssil em questão foi revelado diante das câmeras em um hangar.

O Tratado INF (Intermediate-Range Nuclear Forces Treaty), de 1987, que aboliu o uso de mísseis com um alcance de entre 500 e 5.500 quilômetros, pôs fim à crise dos euromísseis deflagrada na década de 1980 pela mobilização de ogivas nucleares SS-20 soviéticas dirigidas a capitais ocidentais.

Em outubro passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou sua intenção de se retirar do acordo, ao considerar que Moscou o desrespeitou.

A Rússia nega as alegações "infundadas" e acusou Washington de violar o tratado.

 

Presente durante o evento, o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Riabkov, afirmou que o tratado INF deve ser "preservado" e que cabe aos Estados Unidos "tomarem esta decisão".

Em dezembro, Washington impôs um ultimato de 60 dias a Moscou para cumprir o tratado INF. Caso contrário, ameaçou dar início ao processo de retirada do acordo em fevereiro.

Já a Rússia afirmou que propôs aos americanos uma "série de medidas concretas" sobre os mísseis 9M729 que, segundo Moscou, permitiriam "descartar toda suspeita sobre o descumprimento do tratado".

Neste sentido, o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, disse na semana passada que Moscou está disposta a trabalhar para "salvar" este tratado sobre armas nucleares concluído durante a Guerra Fria.

O presidente Vladimir Putin não manteve o mesmo tom, porém, recorrendo igualmente a ameaças, e advertiu para o risco de uma nova corrida armamentista. Ele prometeu ainda que a Rússia vai desenvolver novos mísseis, caso o tratado INF chegue ao fim.

Também propôs que novos países integrem o tratado, em alusão à China, que tem desenvolvido mísseis nucleares proibidos pelo texto. Esta manobra tem, contudo, poucas chances de avançar.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, repetiu a posição europeia de preservação do tratado que afeta "os interesses fundamentais da segurança" de Berlim e da Europa, disse ele na semana passada.

 

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