O candidato indicado pelo presidente americano, Donald Trump, para liderar o Departamento de Justiça, Bill Barr, disse nesta segunda-feira (14) que apoia que o procurador especial Robert Mueller conclua a investigação sobre a trama russa e que torne público o relatório ao final da mesma.
Enquanto acredita-se que Trump é um possível alvo da investigação de Mueller, Barr tentou dissipar boatos de que, como secretário de Justiça, vai reprimir a investigação para proteger o presidente.
"Acho que é de vital importância que permitam ao procurador especial completar a sua investigação", assinalou Barr em um depoimento preparado para a sua audiência de confirmação ante o Comitê Judicial do Senado a partir de terça-feira (15).
"Também acho que seja muito importante que o público e o Congresso estejam bem informados sobre os resultados do trabalho dos procuradores especiais. Por essa razão, meu objetivo será dar o máximo de transparência possível dentro das margens da lei", acrescentou.
Barr, que foi procurador-geral durante o governo de George Bush pai entre 1991 e 1993, e depois advogado corporativo durante 25 anos, havia sido crítico à investigação de Mueller, sugerindo que poderia ser demasiado ampla e contar com uma equipe simpatizante dos democratas.
Além disso, em um memorando dirigido ao Departamento de Justiça no ano passado e enviado à Casa Branca, Barr disse que Mueller não tinha motivos para investigar Trump por obstrução à Justiça depois que o presidente demitiu o diretor do FBI James Comey, em maio de 2017, furioso pelo tom da investigação.
Na sexta-feira, o jornal New York Times informou que, imediatamente depois da demissão de Comey, o FBI abriu uma investigação de contrainteligência sobre se Trump estava trabalhando em benefício da Rússia.
Barr disse em seus comentários preparados que o memorando enviado no ano passado era apenas uma opinião não solicitada de um ex-procurador-geral "que, muitas vezes, interveio em assuntos legais de importância pública".
Também indicou que conhece Mueller profissional e pessoalmente há 30 anos, e que trabalharam juntos quando ele era procurador-geral no início dos anos 1990.
"Quando ele foi nomeado procurador especial, disse que a sua escolha era uma 'boa notícia' e que, conhecendo-o, tinha confiança de que lidaria com a questão adequadamente. Ainda tenho essa confiança hoje", assinalou.
Trump escolheu Barr para substituir Jeff Sessions, que foi demitido em novembro após uma tensa relação na qual o presidente repetidamente criticou a decisão de Sessions de se recusar a supervisionar a investigação de Mueller.