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Policiais e manifestantes entram em confronto após imolação de jornalista na Tunísia

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Novos confrontos foram registrados nesta terça (25) entre a polícia e manifestantes em três cidades da Tunísia, depois que um jornalista ateou fogo ao próprio corpo, na noite de segunda-feira, para denunciar as difíceis condições de vida no país, apesar dos avanços democráticos após a revolução de 2011.

Na segunda-feira, dias antes da celebração do aniversário do levante que deu fim à ditadura de Zine El Aboidine Ben Ali, o jornalista Abdel Razzaq Zorgui, de 32 anos, de uma emissora local, morreu após atear fogo ao próprio corpo, em um protesto contra a difícil situação econômica em uma das regiões mais pobres do país.

"Para os filhos de Kaserine, que não têm meios de subsistência, vou iniciar hoje uma revolução, vou me imolar com fogo", afirma o jornalista em um vídeo gravado 20 minutos antes de sua morte.

Em um comunicado divulgado nesta quarta-feira, o Ministério do Interior afirmou ter prendido uma pessoa por sua suposta participação na imolação do jornalista.

Desde sua morte, aconteceram confrontos noturnos diariamente entre manifestantes, em sua maioria jovens, e as forças de segurança.

Kaserine é uma das primeiras cidades onde começaram, no fim de 2010, manifestações contra a negligência das autoridades e a pobreza endêmica. Os protestos se transformaram em uma revolução contra a ditadura.

Apesar da chegada da democracia, os movimentos de protesto abalaram Kaserin regularmente, cujos habitantes ainda se sentem abandonados pelo governo.

Mas a raiva da juventude não se limita a Kaserin. Confrontos violentos também ocorreram em Jebiniana, a segunda maior cidade do país, ao norte de Sfax. Um policial ficou ferido.

Pelo menos cinco pessoas também foram detidas em Teburba, a 30 km da Túnis, disse à AFP o porta-voz da segurança nacional, Walid Hkima.

A imolação de um jornalista "é um sinal de rejeição de uma situação catastrófica e de um desequilíbrio regional, de uma alta taxa de desemprego entre os jovens e da miséria em que nossos cidadãos vivem nas regiões do interior", escreveu nesta quarta-feira o jornal Le Quotidien.

Segundo o presidente do fórum tunisiano sobre direitos econômicos e sociais (FTDES), Mesud Romdhani, "há uma ruptura entre a classe política e os jovens, especialmente aqueles que vivem em condições precárias no interior do país e veem um futuro turvo".

Os habitantes das regiões desfavorecidas sentem que são vítimas do "hogra" (desdém, em árabe) que persiste desde a era do primeiro presidente da Tunísia, Habib Bourguiba (1956-1987), passando pelo regime de Ben Ali e pelos múltiplos governos que se seguiram após a revolução, explica ele.

Romdhani antecipa que os movimentos de protesto se espalharão para outras regiões devido à "ausência de uma verdadeira vontade política para resolver os problemas reais dos tunisianos".