Coalizão militar no Iêmen denuncia violações da trégua e ataca aeroporto

A coalizão pró-governo liderada pela Arábia Saudita ameaçou nesta quarta-feira (19) retomar sua ofensiva no Iêmen, caso a rebelião continue a violar a trégua na cidade de Hodeida (oeste).

Prova da fragilidade do cessar-fogo alcançado na quinta-feira passada na Suécia e que entrou em vigor na terça, a coalizão anunciou que bombardeou o aeroporto da capital Sanaa, controlado pelos insurgentes.

A coalizão "destruiu um drone que estava sendo preparado para ser lançado", informou a coalizão em um comunicado divulgado pela rede de televisão pública saudita Al-Ekhbariya. O bombardeio contra o aeroporto é o primeiro ataque aéreo desde o anúncio do cessar-fogo.

Apesar do acordo de 13 de dezembro, estabelecido na Suécia entre o regime, apoiado militarmente pela Arábia Saudita, e os rebeldes huthis, que prevê um cessar-fogo imediato, os confrontos, às vezes violentos, prosseguem de maneira intermitente em Hodeida.

"Se a ONU continuar adiando e demorar muito a entrar em cena, perderá a oportunidade (...), e o acordo (de trégua) estará destinado ao fracasso", declarou à AFP uma fonte da coalizão, que apoia militarmente o governo iemenita contra os rebeldes huthis.

"Continuamos concedendo o benefício da dúvida e demonstramos moderação, mas os primeiros sinais não são encorajadores", completou a fonte, que pediu anonimato, antes de acusar a rebelião de violar a trégua 21 vezes.

Na terça-feira, uma fonte da ONU anunciou à AFP que um comitê com representantes dos beligerantes e coordenado pelas Nações Unidas chegaria a Hodeida em um prazo de 24 horas para supervisionar a trégua.

Este comitê, responsável por monitorar a retirada dos combatentes de Hodeida e a saída dos rebeldes dos principais portos da província de mesmo nome, deve apresentar um relatório a cada semana ao Conselho de Segurança da ONU.

Alvo de uma ofensiva das forças pró-governo há meses, o porto de Hodeida é estratégico por recebe a maior parte da ajuda e das importações de alimentos do Iêmen, um país pobre da península arábica ameaçado pela fome após quatro anos de conflito.

Em Nova York, o presidente do comitê deve organizar uma reunião por videoconferência nesta quarta, antes de viajar para o Iêmen "ainda esta semana", segundo o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric.

Os rebeldes huthis, que controlam Hodeida, também acusaram a coalizão de não respeitar o cessar-fogo.

Segundo a agência de notícias Saba, as forças pró-governo visaram a áreas na cidade e na província de Hodeida esta madrugada.

Após várias trocas de tiros esporádicas durante a madrugada de quarta-feira, a calma voltou a Hodeida, disse um morador da cidade por telefone à AFP.

Todas as sete tréguas negociadas pela ONU fracassaram desde o início do conflito no Iêmen.

Além do cessar-fogo, o acordo da Suécia prevê a troca de 15.000 prisioneiros, bem como medidas para facilitar a entrada de ajuda humanitária em Taez (sudoeste), cidade controlada pelo governo e cercada pela rebelião.

As discussões devem ser retomadas no final de janeiro para tentar definir um quadro de negociações, tendo como objetivo chegar a uma solução final para a guerra.

A guerra do Iêmen deixou pelo menos 10.000 mortos, de acordo com a ONU. Várias ONGs acreditam, porém, que o balanço real de vítimas diretas, ou indiretas, desse conflito é muito maior.

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