Congressista denuncia 'falhas sistêmicas' nos EUA após morte de criança migrante

Um congressista americano que liderou uma delegação que viajou nesta terça-feira (18) para o Novo México para investigar a morte de uma menina guatemalteca de sete anos enquanto estava sob custódia da patrulha fronteiriça relatou várias "falhas sistêmicas" no processo.

"Hoje nos inteiramos de algumas falhas sistêmicas muito perturbadoras relativas à forma como foi tratada a situação da menina", disse à imprensa Joaquin Castro, um representante democrata pelo Texas que preside a Liga de Congressistas Hispânicos e que visitou um centro gerido pela patrulha fronteiriça em Lordsburgh, Novo México.

A menina identificada como Jakelin Caal faleceu em 8 de dezembro no hospital de El Paso, no Texas, depois de ser detida com seu pai ao cruzar a fronteira do México na noite de 6 de dezembro.

A criança de sete anos viajou com seu pai mais de 3.000 quilômetros para chegar aos Estados Unidos saída da remota localidade de Raxruhá, na Guatemala.

O caso veio à tona na semana passada depois que a notícia foi publicada pelo jornal Washington Post.

"O assunto começou quando o serviço de vigilância das fronteiras dos Estados Unidos (CBP) violou a lei ao não notificar o Congresso em um prazo de 24 horas que Jakelin havia morrido sob a sua custódia", afirmou Castro.

Segundo Castro, durante o trajeto a partir do local onde foram detidos os migrantes até Lordsburgh, um percurso de 151 quilômetros, não havia ninguém a bordo do veículo que pudesse dar qualquer tipo de atendimento médico.

Na manhã de 7 de dezembro, quando o estado da criança se agravou, ela teve que ser transferida de ambulância aérea para um hospital em El Paso, no Texas, onde morreu.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) anunciou que realizará uma investigação pela morte da menina e que os resultados serão apresentados ao Congresso e revelados ao público.

Essa tragédia acontece em um momento em que nos Estados Unidos há cerca de 15.000 menores estrangeiros desacompanhados a cargo do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS). Segundo as estatísticas, essas crianças passam uma média de 60 dias nesses centros.