Justiça espanhola pede extradição do Brasil de autor do 'Massacre de Atocha"

A Audiência Nacional espanhola solicitou a extradição de um dos autores de um conhecido atentado contra advogados comunistas em Madri em 1977, preso no Brasil em dezembro, segundo um auto revelado nesta terça-feira (18).

O tribunal, especializado, entre outros, em extradição, pediu ao governo espanhol "que solicite às autoridades correspondentes do Brasil a extradição do requisitado Carlos García Juliá", indicou a ordem datada de 11 de dezembro.

A Justiça espanhola procura "cumprir os mais de 10 anos de prisão" que restam da sentença que recebeu em 1980 pelo assassinato de cinco pessoas em um escritório de advocacia, explicou um comunicado da Audiência Nacional.

Em 24 de janeiro de 1977, García Juliá e outros três militantes de extrema direita invadiram com armas de fogo o escritório de advocacia e assassinaram três advogados comunistas, um estudante de Direito e um empregado.

O "Massacre de Atocha", em referência à rua Atocha, onde aconteceu o atentado, causou comoção na Espanha, que se encontrava em plena transição para a democracia e era abalada por ataques. Os fatos pesaram na decisão de legalizar o Partido Comunista alguns meses depois.

Em 1991, García Juliá recebeu a liberdade condicional e foi autorizado a viajar para o Paraguai, onde fugiu e iniciou um périplo pela América do Sul.

Em 2001, a Justiça espanhola solicitou a sua extradição para a Bolívia, onde havia sido preso, mas voltou a fugir durante uma permissão penitenciária.

García Juliá foi preso novamente em 5 de dezembro no Brasil.

Segundo a imprensa espanhola, ele ganhava a vida como motorista de um VTC em São Paulo sob uma falsa identidade.

 

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