Após queda, violência contra jornalistas cresce em 2018

ONG alerta ao ódio proferido pelos líderes políticos

Depois de três anos em queda, a violência contra os jornalistas no mundo voltou a crescer. Segundo o balanço do Repórteres Sem Fronteiras (RSF), publicado nesta terça-feira (18), foram 80 jornalistas assassinados no exercício de sua profissão neste ano. Além disso, outros 348 estão presos e 60 são reféns.

A organização internacional, sediada na França, tem o objetivo de defender a liberdade de imprensa no mundo, e aponta que, nos últimos 10 anos, mais de 700 jornalistas foram mortos no trabalho. Além disso, com 15 assassinatos em 2018, o Afeganistão se configura como o país mais perigoso para jornalistas, seguido pela Síria (11 mortos) e pelo México (nove mortos). Outro fato que emerge da publicação é a entrada dos Estados Unidos na lista das nações com os números mais altos de repórteres assassinados, após o ataque contra a redação do "Capitol Gazette", realizado em junho deste ano no estado de Maryland.

O número de jornalistas mortos aumentou de 65 (2017) para 80, enquanto o de presos aumentou de 326 (2017) para 348. Mais da metade dos encarcerados se concentra em cinco países: Irã, Arábia Saudita, Egito, Turquia e China, sendo que esta conta com a primeira prisão no mundo com mais de 60 jornalistas atrás das grades.

O secretário-geral da RSF, Christophe Delpore, em ocasião da publicação do relatório, ainda alertou sobre as consequências dos discursos contra a imprensa. "O ódio contra os jornalistas, proferido pelos líderes políticos, religiosos ou empresários sem escrúpulos, tem consequências dramáticas sobre o terreno e se traduz num aumento inquietante dos abusos" e das violências contra os jornalistas.

"Multiplicado pelas redes sociais, que a esse propósito têm responsabilidades grandes, esse sentimento de ódio legitima as violências e enfraquece a cada dia, sempre mais, o jornalismo e a democracia", advertiu. A ONG lembrou ainda de Jamal Kashoggi, jornalista assassinado no consulado saudita em Istambul, em outubro deste ano.