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Internacional

Salvini elogia Bolsonaro, mas informa que não irá à posse

Italiano alegou que imprensa o criticaria pela viagem

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O vice-premier da Itália e ministro do Interior, Matteo Salvini, informou hoje (18) que não comparecerá à posse do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro.

"Bolsonaro, que tomará posse no dia 1 de janeiro, muito carinhosamente me convidou, mas o acompanharei de longe, para não ser mal interpretado pela imprensa italiana, que me quer tanto bem", ironizou Salvini.

A cerimônia está marcada para o dia 1 de janeiro, em Brasília.

Seguindo protocolos diplomáticos, o Itamaraty enviou convites a líderes políticos de todos os países com os quais o Brasil mantêm relações. No entanto, sob pedido da equipe de Bolsonaro, os convites à Venezuela e a Cuba foram retirados.

Salvini e Bolsonaro trocam mensagens e elogios desde a campanha eleitoral. O italiano chegou a declarar nas redes sociais que torcia para o ex-militar. No dia do segundo turno das eleições, Salvini comemorou a vitória do candidato do PSL.

"No Brasil, os cidadãos também mandaram a esquerda para casa.

Bom trabalho ao presidente Bolsonaro. A amizade entre nossos povos e nossos governos será ainda mais forte", escreveu, na ocasião. A declaração sobre a posse de Bolsonaro foi dada hoje por Salvini, ao comentar o caso do italiano Cesare Battisti, foragido desde semana passada, quando o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou sua prisão, abrindo caminho para uma extradição.

Ele descartou hoje a possibilidade de oferecer uma recompensa em dinheiro para quem informar o paradeiro de Battisti. "Não colocaremos nenhuma recompensa. Deixaremos isso aos filmes. Mas estou confiante que o caso possa ser resolvido positivamente", disse Salvini. "Reafirmo o que disse ao presidente brasileiro: em qualquer momento, caso ele seja preso, estou disponível para embarcar no primeiro avião e acompanhá-lo pessoalmente à Itália". Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, quando era militante do grupo de extrema-esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). "Um delinquente condenando à prisão perpétua por quatro homicídios... acredito que seja justo que ele passe seus últimos anos na cadeia, na Itália, e não nas praias brasileiras ou nas florestas bolivianas", pontuou o vice-premier. Salvini afirmou que "não pode entrar em detalhes" sobre as investigações para encontrar Battisti, mas "espera que as autoridades brasileiras consigam fazer o que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, comprometeu-se pessoalmente a fazer".