Birmanesa Aung San Suu Kyi perde prêmio de direitos humanos

Uma das principais organizações de defesa dos direitos humanos da Coreia do Sul anunciou, nesta terça-feira (18), que vai retirar o prêmio concedido em 2004 à líder birmanesa Aung San Suu Kyi, devido à sua "indiferença" frente à crise da minoria muçulmana rohingya.

Na época uma dissidente admirada, Aung San Suu Kyi não pôde receber o Prêmio Gwangju para os Direitos Humanos, porque a junta militar birmanesa a mantinha sob prisão domiciliar.

Desde então, porém, seu partido chegou ao poder, ela é a dirigente "de facto" de Mianmar e enfrenta muitas críticas da comunidade internacional por sua rejeição a condenar a violência contra os rohingyas, assim como por sua falta de compaixão.

Desde 2017, mais de 720.000 muçulmanos rohingyas fugiram da violência cometida por militares birmaneses e milícias budistas, uma crise que a ONU classificou como "genocídio".

Sua "indiferença diante das atrocidades cometidas contra os rohingyas é contrária aos valores que este prêmio defende: a proteção e a promoção dos direitos humanos", disse à AFP Cho Jin-tae, porta-voz da Fundação do Memorial de 18 de maio.

Em consequência, o conselho de administração decidiu retirar-lhe o prêmio nesta segunda-feira.

Esta fundação foi criada em 1994 para comemorar a suspensão democrática de Gwangju em 1980, reprimido com violência pelo Exército sul-coreano e que deixou mais de 200 mortos e feridos.

A insurreição contra o ditador militar Chun Doo-hwa inspirou o movimento de protesto que levou ao restabelecimento da democracia sete anos mais tarde.

Em meados de novembro, a Anistia Internacional retirou de Aung San Suu Kyi um prêmio que lhe foi atribuído em 2009, alegando que "traiu os valores que outrora defendia".

 

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