Cúpula da UE para além do Brexit: migração, Rússia, euro

A saída do Reino Unido da União Europeia (UE) dominou a última cúpula do bloco, concluída nesta sexta-feira (14) mas os mandatário também adotaram decisões sobre sua política migratória, sua relação com a Rússia e a zona do euro.

"Vejo este Conselho Europeu justamente como o dos resultados", afirmou nesta quinta-feira o presidente francês, Emmanuel Macron, na chegada à reunião.

Veja abaixo as principais decisões adotadas nesta cúpula.

 

 

Após 18 meses de discussões, os mandatários acordaram várias medidas para reformar e reforçar a zona do euro em futuras crises econômicas, como permitir que o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE) empreste dinheiro em último recurso caso haja problemas para grandes bancos.

O ponto mais sensível do acordo é o compromisso de continuar as discussões sobre criar um orçamento para a zona do euro - um pedido da França chamado de "instrumento orçamentário" para apaziguar países mais reticentes, como a Holanda.

Embora esses avanços permitam reforçar seu sistema financeiro, ideias mais ousadas foram descartadas como a criação de um ministro da Fazenda para a zona do euro, defendida por países como a França, ou um "Fundo Monetário Europeu" semelhante ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

No capítulo da migração, uma das questões mais tensas, os líderes europeus pediram para as negociações sobre a Agência Europeia para a Guarda Costeira e de Fronteiras - novo nome da Frontex - serem concluídas "rapidamente".

A necessidade de fortalecê-la reúne grande maioria, mas o escopo de suas prerrogativas preocupa países da linha de frente da UE, como a Espanha, ávidos por preservar a soberania na gestão de suas fronteiras.

Vários países, entre eles França e Alemanha, também têm dúvidas sobre a viabilidade do objetivo de mobilizar 10.000 guardas de fronteira até 2020 estabelecido pela Comissão Europeia.

Quanto à polêmica reforma da política comum de asilo, que há dois anos está estagnada acerca da obrigatoriedade de receber solicitantes de asilo, os líderes do bloco pediram para continuar "trabalhando".

 

A UE prorrogou por seis meses suas sanções econômicas impostas à Rússia desde julho de 2014 por seu papel na Ucrânia, por não ter avanços na aplicação dos acordos de paz de Minsk que buscam dar fim ao conflito entre separatistas pró-russos e as forças ucranianas.

A oitava extensão ocorre em um contexto de tensão entre Kiev e Moscou por um incidente naval no fim de novembro no mar de Azov. Os europeus pediram para a Rússia libertar "imediatamente" os cerca de 20 marinheiro e três navios ucranianos detidos.

 

A seis meses das eleições europeias, o Conselho Europeu apelou à mobilização contra a "disseminação da desinformação deliberada, sistemática e em larga escala" online, um "sério desafio estratégico para os nossos sistemas democráticos".

Na semana passada, a Comissão apresentou um plano de ação que prevê a criação de um "sistema de alerta rápido" entre as instituições e os países da UE para partilhar dados sobre campanhas de divulgação de informações falsas, num contexto de medo das ações da Rússia.

 

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