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Coalizão do primeiro-ministro armênio vence eleições

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A coalizão liderada pelo primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinian, triunfou nas eleições legislativas antecipadas, convocadas pelo líder reformista para fortalecer seu poder poucos meses depois de sua chegada ao governo por meio de um levante popular.

Após a apuração de todos os votos, o bloco liderado pelo partido "Contrato Civil" de Pashinian obteve 70,43% dos votos, anunciou a Comissão Eleitoral Central.

"Estou orgulhoso de vocês (...) Vamos ser corajosos", declarou o premiê nesta segunda-feira (10), agradecendo aos "corajosos" armênios pela confiança.

A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que enviou observadores, elogiou uma votação realizada "com respeito às liberdades fundamentais".

"A ausência global de falhas eleitorais, como a compra de votos e pressão sobre os eleitores, permitiu uma disputa justa", ressaltou a organização.

Nikol Pashinian, um ex-jornalista de 43 anos, chegou ao poder na Armênia em maio, após várias semanas de protestos em massa contra o governo que estava no poder há mais de uma década.

Mas Pashinian não controlava o Parlamento, ainda em grande parte dominado pelo Partido Republicano do antigo presidente Serge Sarkissian, razão pela qual aspirava a organizar eleições antecipadas.

Em meados de outubro, Nikol Pashinian saiu vitorioso de uma manobra política. Ele anunciou sua renúncia, e depois chegou a um acordo com os deputados que fracassaram duas vezes em eleger um novo chefe de governo: um pretexto para a dissolução do Parlamento e para a convocação de eleições parlamentares antecipadas.

As próximas eleições legislativas nesta ex-república soviética do Cáucaso estavam previstas para acontecer apenas em 2022.

"Depois das eleições, vamos desenvolver a democracia na Armênia e fazer uma revolução econômica", disse Pashinian a repórteres depois de votar em Erevan, prometendo eleições "livres, justas e transparentes".

O Partido Armênia Próspera chegou em segundo lugar, com 8,37% dos votos. O Partido Republicano do ex-presidente Serge Sarkissian recebeu apenas 4,7% dos votos, não excedendo os 5% necessários para entrar no Parlamento.

Pashinian, que lançou uma cruzada contra a corrupção, defende uma "revolução econômica" em um país onde cerca de 30% da população vive na linha da pobreza, de acordo com estatísticas oficiais.

Na política, o líder da "revolução de veludo" armênia promete "selar ainda mais a aliança estratégica com a Rússia e, ao mesmo tempo, fortalecer a cooperação com os Estados Unidos e a União Europeia".

De acordo com analistas, Pashinian, considerado um herói nacional durante os protestos contra o governo, esforçou-se para organizar essas eleições antecipadas enquanto está no auge de sua popularidade.

"Seu partido provavelmente (...) terá todas as alavancas necessárias para acelerar as reformas econômicas e políticas prometidas", aponta o analista Guevorg Pogossian.

"As eleições foram convocadas em uma onda de euforia revolucionária", segundo Pogossian. "Mas depois da votação, esse sentimento inevitavelmente diminuirá, e Pashinian e sua equipe enfrentarão a realidade", diz ele.

Nove partidos políticos e dois blocos eleitorais disputavam 101 assentos no Parlamento armênio. De acordo com a legislação armênia, um partido precisa de pelo menos 5% dos votos dos eleitores para poder entrar na Câmara, enquanto uma coalizão eleitoral precisa de 7%.

Uma vez no Parlamento, contudo, os partidos da oposição devem - em virtude da lei armênia - ter pelo menos 30% dos assentos, mesmo que tenham atingido valores inferiores a esse valor.

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