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'Nada mudou', diz mulher pisoteada em Turim

Pânico coletivo causou seis mortes em discoteca na Itália

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"Uma história já vivida. Um pânico já visto, na minha própria pele. Foi como viver novamente aqueles momentos." Frente às imagens da tragédia de Corinaldo, Emily G., 32 anos, não consegue segurar a emoção.

Na madrugada deste sábado (8), uma onda repentina de pânico provocou uma correria durante um show do rapper Sfera Ebbasta na boate "Lanterna Azzurra", em Corinaldo, centro-leste da Itália, e deixou ao menos seis mortos e mais de 100 feridos.

Esse caos, as pessoas em fuga que atropelam tudo, já havia sido presenciado por Emily em 3 de junho de 2017, na Praça San Carlo, em Turim, onde a torcida da Juventus se reunia para assistir à final da Liga dos Campeões da Europa contra o Real Madrid.

Na ocasião, uma quadrilha tentou assaltar torcedores usando spray de pimenta, o que gerou um falso alarme de bomba. Na correria, as pessoas derrubaram grades que cercavam a entrada de um estacionamento subterrâneo, e muitos acabaram pisoteados. Uma torcedora, Erika Pioletti, 38 anos, morreu.

"Me impactou ler que, em Ancona [província onde fica Corinaldo], alguém causou pânico usando spray de pimenta, exatamente como na Praça San Carlo", disse Emily, que teve duas costelas quebradas nas desordens de 3 de junho.

"As dinâmicas parecem as mesmas. É como se aquela tragédia [de Turim] não tivesse ensinado nada", acrescentou Emily, revelando que mantém um spray de pimenta para "legítima defesa" em sua casa".

"Nunca o usei, mas me transmite segurança. O spray é um instrumento positivo, o problema é que é usado por pessoas sem escrúpulos", afirmou. Até o momento, ninguém foi condenado pela tragédia de Turim.