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Cúpula do G20 começa com guerra comercial e Ucrânia em sua agenda

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O presidente argentino Maurício Macri fez a instalação formal em Buenos Aires da cúpula do G20, reunião que será marcada pela guerra comercial entre China e Estados Unidos, a crise entre a Rússia e a Ucrânia e protestos nas ruas da capital argentina.

Em um dos poucos momentos de consenso antes do início do encontro, Estados Unidos, México e Canadá assinaram o acordo comercial que substitui o anterior Tratado de Livre Comércio da América do Norte, o que é considerado um triunfo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Este é um modelo de acordo que muda para sempre a paisagem do comércio", declarou Trump durante a cerimônia de assinatura que contou com a presença do presidente mexicano Enrique Peña Nieto e do primeiro-ministro canadense Justin Trudeau.

O Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês ou T-MEC, em espanhol) foi concluído em 30 de setembro, substituindo o Nafta em vigor desde 1994, mas deve ainda ser aprovado pelo Congresso americano.

 

 

Para o presidente argentino Mauricio Macri o G20 será uma oportunidade de mostrar ao mundo uma melhor imagem de seu país, na esperança de seduzir os inversores para que o dinheiro flua na debilitada economia argentina.

Em um primeiro encontro bilateral à margem da cúpula, Macri recebeu Trump na Casa Rosada, sede do governo, e conversaram sobre suas preocupações em relação à falta de democracia na Venezuela e também falaram sobre investimentos potenciais dos Estados Unidos nos campos de gás argentinos de Vaca Muerta.

Mas as ruas - vigiadas por 24 mil seguranças e com áreas fechadas para o tráfego - podem surpreendê-lo.

Dezenas de organizações sociais que rejeitam o G20 e, em particular, o Fundo Monetário Internacional, com o qual o governo Macri assinou um acordo de US$ 56 bilhões para estabilizar o mercado de câmbio, estão se preparando para realizar protestos.

"A cúpula me parece um disparate. Estamos mal e ainda temos que gastar um monte de dinheiro par isso?", reclama Agustina Vianello, de 25 anos, em seu caminho para o trabalho.

 

 

A reunião no sábado entre Trump e seu colega chinês Xi Jinping será o destaque do primeiro G20 na América do Sul.

Governos, mercados e empresas aguardarão os resultados dessa reunião.

Mas Trump já está reticente quanto a um acordo.

"Acho que estamos muito perto de fazer algo com a China, mas não sei se quero fazê-lo", afirmou antes de iniciar sua viagem.

Ao exigir que Pequim acabe com as práticas comerciais, Trump impôs tarifas que chegaram a 300 bilhões de dólares, incluindo 250 bilhões de dólares em produtos chineses, e afetaram as importações de aço e alumínio de outros países.

E a China reagiu rapidamente com medidas recíprocas, o que alimentou a "guerra comercial" que os analistas temem que possa atingir a economia mundial.

 

 

Antes de deixar Washington, Trump cancelou sua a planejada reunião na Argentina com seu colega russo, Vladimir Putin.

A decisão do presidente veio após o agravamento do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, depois que a guarda costeira russa assumiu o controle de três navios da marinha ucraniana no Mar Negro, perto da península ucraniana da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, atirando contra eles e deixando três feridos entre a tripulação.

A anulação também acontece em meio à controvérsia nos Estados Unidos sobre novas revelações na investigação de uma suposta interferência da Rússia na campanha presidencial dos EUA em 2016.

Trump também deve medir forças com o presidente da França, Emmanuel Macron, que pretende incluir o aquecimento global nos primeiros pontos da agenda do G20, antes da conferência sobre clima COP24, em 2 de dezembro, na Polônia.

Já a chanceler alemã deverá chegar um pouco atrasada à cúpula devido à grave pane que forçou seu avião a realizar um pouso de emergência em Colonia, oeste da Alemanha.

Sua chegada na capital argentina está prevista para 17h55 (18h55 de Brasília) e as reuniões bilaterais previstas para esta noite com os presidentes Trump e Xi Jinping foram canceladas.

Por fim, um tremor de magnitude 3,8 foi sentido nesta sexta-feira em Buenos Aires e arredores, sem causas feridos nem danos, e ocorreu justamente no momento em que Macri fazia a inauguração formal da Cúpula do G20.

Buenos Aires está longe das áreas sísmicas, mas em sua história foram sentidos os terremotos devastadores que ocorreram na província de San Juan, 1.000 km a oeste, em 1944 e 1977.

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