Britânico é condenado à perpétua no EAU por espionagem

Matthew Hedges alegou inocência e disse que fazia pesquisa no país

Um estudante de doutorado britânico foi condenado nesta quarta-feira (21) à prisão perpétua nos Emirados Árabes Unidos (EAU) acusado de espionar para o governo do Reino Unido. A decisão foi tomada em uma tribunal de Abu Dhabi e teve duração de apenas cinco minutos.

Matthew Hedges, 31 anos, acadêmico da Universidade de Durham, disse que é inocente e que estava pesquisando a estratégia de segurança do país. Seu advogado de defesa não estava presente na audiência. A promotoria, por sua vez, afirmou que ele admitiu as acusações de "espionar para ou em nome" do governo britânico.

O caso foi considerado "profundamente decepcionante" pela primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May. O ministro das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, afirmou que está negociando com as autoridades do governo dos Emirados Árabes Unidos, porque está "chocado e desapontado" com o veredicto. "O veredicto de hoje não é o que esperamos de um amigo e um parceiro de confiança do Reino Unido e vai de encontro a garantias anteriores", disse Hunt em nota oficial.


Em um comunicado, a família de Hedges afirmou que, durante as primeiras seis semanas de sua detenção, o jovem foi interrogado sem um advogado. Além disso, ele foi obrigado a assinar um documento em árabe, que seria uma confissão. " Matthew não fala, nem lê árabe", diz o texto.


Matthew Hedges, 31 anos, está preso no EAU desde o dia 5 de maio, quando foi detido no aeroporto internacional de Dubai após encerrar uma visita ao país de duas semanas para realizar pesquisas para sua dissertação do doutorado.