Negociações de paz sobre Iêmen ocorrerão em dezembro na Suécia

Washington anunciou nesta quarta-feira a realização de negociações de paz sobre o Iêmen no início de dezembro, na Suécia, enquanto o emissário especial da ONU viaja a Sanaa em meio aos combates pelo porto estratégico de Hodeida.

O governo iemenita, apoiado por uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, e os rebeldes huthis, que têm o Irã como aliado, se reunirão "no início de dezembro" na Suécia, anunciou o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Jim Mattis.

Mattis declarou que Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que apoiam o presidente Abd Rabbo Mansur Hadi, estão "totalmente de acordo" com as negociações.

O emissário especial da ONU, Martin Griffiths, chegou a Sanaa nesta quarta-feira para reativar os esforços de paz.

Griffiths, que não falou com a imprensa em seu desembarque no aeroporto internacional de Sanaa, deve se reunir com dirigentes da rebelião que controla a capital iemenita para tratar das negociações de paz.

Nem o programa nem a duração da visita de Griffiths foram divulgados pela ONU, que também não especificou se ele vai, ou não, se reunir com representantes do governo iemenita.

O Iêmen está praticamente dividido em dois: as forças pró-governo controlam o sul e uma boa parte do centro, enquanto os rebeldes dominam Sanaa, o norte e amplas faixas do oeste.

Para favorecer os esforços de paz, os rebeldes huthis, apoiados pelo Irã, disseram estar dispostos a suspender as hostilidades, se a coalizão liderada por Riad, aliada do governo do presidente Abd Rabbo Mansur Hadi, puser fim a seus ataques.

O governo de Hadi já anunciou sua participação nas negociações de paz.

 

Em Hodeida, crucial para o fornecimento de ajuda humanitária, houve, porém, uma segunda noite de combates entre os rebeldes huthis, que controlam a cidade e seu porto, e as forças pró-governo.

Depois de um dia de relativa calma ontem, explodiram violentos confrontos à noite nos bairros do sul e do leste da cidade, segundo um correspondente da AFP e vários moradores.

Na noite anterior, os combates, os mais violentos desde que a tensão se reduziu em 14 de novembro, concentraram-se no leste.

Hodeida, por onde passam três quartos da ajuda humanitária do país, é um ponto-chave deste conflito que já deixou cerca de 10.000 mortos e levou 14 milhões de pessoas a viverem com fome, segundo a ONU.

O Conselho de Segurança da ONU tem de se pronunciar, em uma data ainda a ser definida, sobre um projeto de resolução apresentado pela Grã-Bretanha para reivindicar uma trégua imediata na cidade.

Em um estudo publicado nesta quarta, o International Crisis Group (ICG) considerou que a comunidade internacional se encontra frente a um "grave" dilema em Hodeida.

"A eleição é difícil, mas simples: impedir uma batalha destruidora para Hodeida, ou assumir uma parte da responsabilidade, por inação, em uma fome em massa" no Iêmen, afirmam os autores do informe.

 

Estes especialistas destacam a determinação dos rebeldes para manter o controle da cidade, para onde enviaram as temidas tropas "Kataeb al-Mawt" (os "Batalhões da Morte"), assim como a fraqueza das forças pró-governo.

"Para os huthis, perder este porto seria um importante golpe, mas podem sobreviver, pelo menos por enquanto", considera o International Crisis Group.

Mas, "para a população, já à beira da fome, isso representaria algo pior, visto que novas perturbações no fornecimento de produtos de base podem ser catastróficas", acrescentou.

Em um estudo publicado na quarta-feira, a ONG Save The Children estimou em cerca de 85.000 as crianças mortas por fome, ou por doenças, desde a intensificação da guerra no país em 2015.

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