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Protestos contra presidente Macron tomam conta da França

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O presidente francês Emmanuel Macron enfrentou uma grande mobilização popular neste sábado, liderada pelo grupo "coletes amarelos" formado por motoristas irritados com o aumento dos preços dos combustíveis.

Nos protestos, uma motorista atropelou e matou uma manifestante. A motorista, que levava sua filha ao médico em Pont-de-Beauvoisin, em Saboya (leste), entrou em pânico quando se viu cercada pelos manifestantes que começaram a socar seu carro. Ela continuou avançando e atropelou a manifestante. Foi presa em estado de choque.

No norte, um pedestre também foi atropelado e se encontra em estado de emergência. Outros incidentes causaram 47 feridos, três deles graves, segundo a polícia.

O Ministério do Interior calcula que houve mais de 2.000 protestos em todo o país, com a participação de cerca de 124.000 pessoas, mas sem paralisar o país, como queria o grupo de "coletes amarelos".

O movimento dos "coletes amarelos", uma referência à jaqueta que os motoristas devem usar para ter maior visibilidade em caso de acidente na França, protesta contra a alta do preço dos combustíveis, um imposto ecológico.

O governo francês, visivelmente preocupado, multiplicou nos últimos dias tanto ameaças quanto gestos de adesão ao movimento. "Você pode se manifestar, mas bloquear um país não é aceitável", repetiu o primeiro-ministro Edouard Philippe na sexta-feira.

Na quarta-feira, o governo anunciou um aumento da ajuda aos mais carentes para trocar de carro e pagar as contas de energia.

Este movimento de protesto vem depois de um ano difícil para o presidente, com múltiplas manifestações contra seu amplo plano de "transformação" da França.

Também se soma à baixa taxa de popularidade da Macron, abaixo de 30%, o nível mais baixo desde a sua eleição em 2017.

Os "coletes amarelos", por outro lado, contam com o apoio de 73% dos franceses, segundo o instituto de opinião Elabe.

"Cinqüenta e quatro por cento dos eleitores de Macron apoiam ou têm simpatia por esse movimento", afirma Vincent Thibault, gerente sênior de estudos do instituto.

Para a cientista política Sainte-Marie, "é um protesto mais perigoso que os anteriores, porque tem a capacidade de disseminação entre quatro quintos da sociedade: todos aqueles que pegam seus veículos e têm renda modesta".

Para el politólogo Sainte-Marie, "es una protesta más peligrosa que las anteriores porque tiene capacidad de difusión entre cuatro quintas partes de la sociedad: todos os que têm carro e quem tem rendas modestas".

O governo francês anunciou na quarta-feira medidas para ajudar as famílias mais pobres a cobrir os gastos com energia, mas manteve o imposto sobre o combustível que desencadeou esse movimento de protesto.

"Nós não vamos anular o imposto sobre as emissões de carbono, não vamos mudar de curso, não vamos desistir de fazer frente ao desafio" da mudança climática, disse o primeiro-ministro.

O novo imposto começará a ser aplicado em 1º de janeiro de 2019 e envolverá um aumento de 6,5 centavos de euro por litro de gasóleo e 2,9 centavos por litro de gasolina.

O governo também anunciou um bônus de até 4.000 euros para incentivar 20% das famílias mais modestas a trocar de carro e comprar uma versão menos poluente. Até agora, o bônus era de até 2.500 euros para trocar o carro antigo.

No mesmo dia do anúncio, o presidente Macron fez um mea culpa sem precedentes, admitindo que não conseguiu "reconciliar o povo francês com seus líderes" e prometeu uma "reconciliação entre a base e o topo" do país.

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