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Igreja Católica luta para enviar mensagem concreta aos jovens

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A Igreja Católica, representada por 267 prelados de todos os continentes, encerra neste sábado um sínodo de um mês dedicado aos jovens sem ter definido uma proposta concreta, segundo os participantes.

Ao abrir esta reunião de cúpula mundial, no último dia 3, o Papa Francisco pediu aos bispos que "transformassem as estruturas", às vezes demasiadamente rígidas, da Igreja.

O documento final que deve ser aprovado hoje "parece um catálogo da Ikea", comentou um bispo, particularmente irritado com a máquina consensual do Vaticano. "Tem todo o necessário para o banheiro e a cozinha, em todos os estilos, para que todos se vejam refletidos."

"Um bispo do Leste Europeu arriscou-se a dizer que a moral da Igreja, ou seja, 'nada de relações sexuais antes do casamento' havia se tornado insuportável. Passamos para o tema seguinte e não voltamos a falar sobre isso", comentou.

"Sobre a internet, um consenso é possível; sobre a moral sexual, é impossível, as opiniões são muito variadas", assinalou outro bispo.

Alguns dos 267 "padres sinodais" reclamaram que o debate não era igualitário e que o texto votado estava redigido apenas em italiano.

O cardeal indiano Oswald Gracias declarou-se surpreso ao ler nas conclusões, escritas por um grupo reduzido, um elemento da linguagem teológica muito apreciado pelo Papa, mas ausente dos debates, o que gerou dúvidas sobre a manipulação do processo de consulta.

 

"Algumas propostas ousadas, sujeitas a ganhar manchetes, não foram mantidas", confirmou o bispo francês monsenhor Emmanuel Gobillard, um dos poucos que falaram sobre sexualidade.

Ele destacou que se havia tratado de uma experiência importante dentro de uma Igreja universal, que aborda uma ampla diversidade de idiomas e culturas.

As reações alegres de 34 jovens convidados constituíram um sopro de ar fresco, pelo qual os bispos agradeceram. Por outro lado, um grupo de especialistas ou auditoras participou pela primeira vez desta reunião, masculina.

Embora todos os bispos tenham prometido colocar em prática em seus países o que aprenderam no sínodo, o texto final, de cerca de 50 páginas, irá se limitar a compilar generalidades. Uma versão mais curta está sendo preparada para os jovens.

 

A sigla LGTB, enterrada pelos bispos africanos, também foi criticada por um bispo conservador americano. Não é de se estranhar que esteja ausente do texto final.

Na sala de imprensa do Vaticano, jornalistas perguntaram insistentemente aos prelados sobre este tema, relegado ao segundo plano nos debates.

Um tema que incendiou o cardeal alemão Reinhard Marx, conselheiro do Papa, que denunciou uma instrumentação ideológica operada por "grupos de pressão. Este não é um sínodo sobre sexualidade, e sim sobre os jovens", criticou, ao mesmo tempo em que defendeu um papel maior para as mulheres nos postos de responsabilidade da Igreja. "Deve-se compreender os sinais do tempo!"

Os abusos sexuais do clero, muito discutidos na primeira semana, terão o seu lugar nas conclusões, mas não de destaque, como desejavam alguns, devido às reticências de países que não foram salpicados pelo escândalo.

 

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