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Ocidente comemora com Praga centenário do nascimento da Tchecoslováquia

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Emmanuel Macron, Angela Merkel e o secretário americano da Defesa James Mattis são esperados em Praga para celebrar o centenário da fundação da Tchecoslováquia.

O presidente francês vai visitar nesta sexta-feira a capital eslovaca Bratislava. Depois, ele se reunirá com o presidente tcheco Milos Zeman e com o primeiro-ministro Andrej Babis, que terá recebido a chanceler alemã.

Mattis participará no domingo de um grande desfile militar em Praga, na presença de líderes eslovacos.

Um século atrás, em 28 de outubro de 1918, os tchecos e os eslovacos criaram a Tchecoslováquia, um dos novos países emergentes do colapso do Império Austro-Húngaro. Eles viveram juntos por oito décadas agitadas antes de se separarem amigavelmente em 1993.

"Povo tchecoslovaco, tudo o que você fizer a partir desse momento, fará como um novo membro livre de uma grande família de nações livres e independentes!", proclamava um manifesto publicado em Praga pelo "Comitê Nacional".

A alegria espontânea dos habitantes de Praga, as polcas dançadas nas ruas e o aparecimento de bandeiras nacionais formadas a partir de uma faixa vermelha e outra branca (o triângulo azul simbolizando as montanhas eslovacas será adicionada mais tarde) marcaram o fim da dominação austríaca de quase 300 anos.

Um século após o advento dos Habsburgos ao trono tcheco, a derrota da nobreza protestante rebelde da Boêmia contra o exército católico imperial na batalha da Montanha Branca (1620) encerrou a autonomia do reino tcheco. Seguiu-se então uma recatolização e germanização forçadas.

 

 

Sob a influência do eslavismo, uma emancipação primeiramente linguística e cultural, depois política, começou a ganhar terreno a partir do final do século XVIII, incluindo entre os eslovacos, vizinhos eslavos próximos dos tchecos, mas atormentados na época por uma magiarização (ato de tornar semelhante ao húngaro).

A Tchecoslováquia deve em grande parte seu nascimento a uma campanha conduzida durante a Primeira Guerra Mundial por seus representantes no exílio, os tchecos Tomas Garrigue Masaryk e Edvard Benes (que mais tarde foram os primeiros presidentes da Tchecoslováquia) e o general franco-eslovaco Milan Rastislav Stefánik.

Estes últimos se esforçaram para convencer os vencedores, a França, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, a apoiar a criação de seu Estado.

As "Legiões tchecoslovacas", formadas por voluntários e desertores do exército austro-húngaro também desempenharam um papel importante.

Um decreto reconhecendo como Exército autônomo essas unidades criadas na França foi assinado pelo então presidente francês, Raymond Poincaré, dez meses antes do nascimento do Estado independente. Em 29 de junho de 1918, o governo francês apoia oficialmente a aspiração dos tchecos e eslovacos ao seu Estado.

A independência da Tchecoslováquia em 28 de outubro de 1918 decorre da aceitação de Viena das condições impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Thomas Woodrow Wilson, estipulando a independência das nações do Império Austro-Húngaro, que perdeu a Primeira Guerra Mundial como seu principal aliado, a Alemanha.

Dois dias depois, representantes eslovacos confirmam sua disposição de viver em um Estado comum com os tchecos, em uma declaração adotada em Turciansky Svaty Martin.

 

 

A "Primeira República" tchecoslovaca (1918-1938), percebida na época como uma "ilha de democracia" em um ambiente de regimes autoritários, logo mergulha em problemas devido ao seu caráter multiétnico.

O país tinha, na época, além de 6,8 milhões de tchecos e 2 milhões de eslovacos, 760.000 húngaros, 477.000 rutenos, 190.000 judeus e 110.000 poloneses, mas sobretudo 3,2 milhões de alemães dos Sudetos, em sua maioria hostis ao novo Estado.

O ditador nazista Adolf Hitler toma como pretexto para arrancar os Sudetos (regiões fronteiriças) da Tchecoslováquia pelo Acordo de Munique de 1938, que foi seguido pela ocupação alemã e a criação de um "Estado eslovaco" formalmente independente, mas subserviente a Berlim.

Após a libertação, a Tchecoslováquia ainda atravessou o "Golpe de Praga" comunista de 1948 e o esmagamento pelos tanques soviéticos do movimento reformista "Primavera de Praga", lançado em 1968, antes de retornar para a democracia durante a "Revolução de Veludo" de 1989, liderada pelo dissidente tcheco Vaclav Havel.

Três anos mais tarde, os tchecos e os eslovacos "se separaram amigavelmente" em 1 de janeiro de 1993. A República Tcheca e a Eslováquia, Estados independentes, são agora membros da UE e da Otan.

 

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