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Investigadores tentam entender os motivos do massacre na Crimeia

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Investigadores russos tentam estabelecer nesta quinta-feira as motivações do autor do massacre no instituto politécnico de Kerch, na Crimeia, um estudante de 18 anos que matou 20 pessoas antes de cometer suicídio, um massacre batizado de "Russian Columbine" pela imprensa.

Sem uma versão oficial, as especulações sobre a personalidade do autor da matança, apresentado pelas autoridades como Vladislav Rosliakov, de 18 anos, se multiplicaram na imprensa e nas redes sociais.

Segundo o jornal Kommersant, o jovem "cresceu em uma família muito pobre".

"Seu pai, deficiente físico, não vivia com sua mãe, que trabalha em uma clínica e é membro das Testemunhas de Jeová", afirma a publicação, aludindo a uma organização religiosa considerada "extremista" e proibida na Rússia.

Vários meios de comunicação traçam um paralelo com a matança na escola dos Estados Unidos que deixou 13 mortos em 1999. As fotos do autor da matança de Kerch, difundidas na internet, o mostram com um traje similar ao de Eric Harris, um dos dois autores do massacre em Columbine.

Os motivos da matança ainda não são conhecidos. Segundo Aksionov, o agressor, que tinha uma bolsa de estudos, nunca mostrou agressividade na escola.

 

 

Segundo a ex-namorada do atirador, uma adolescente de 15 anos, afirmou ao canal de russo RT que Rosliakov queria se vingar de alunos que o humilhavam e "não queria mais viver".

"Dizia que já não tinha confiança nas pessoas desde que seus colegas de turma começaram a humilhá-lo porque não era como os outros", acrescentou a ex-namorada, que pediu anonimato.

"Tínhamos um tema de interesse comum porque eu treino tiro ao alvo. Ele era apaixonado por isso. Gostava de diferentes tipos de armas", disse.

"Quando conversávamos, tudo estava bem, ele era bom e sensível, e me ajudou quando eu estava mal", acrescentou a adolescente.

O corpo do atirador foi encontrado na biblioteca da escola, onde cometeu suicídio de acordo com as autoridades. Ele possuía permissão para portar armas depois de ter passado em testes psicológicos, de acordo com uma fonte de serviços de segurança citada pela agência RIA Novosti.

Em Kerch, uma cidade na península da Crimeia, anexada em 2014 pela Rússia, a escola foi cercada durante a noite pela Guarda Nacional, pelos militares e pela polícia.

Os habitantes montaram um pequeno altar memorial na calçada, onde deixaram flores e acenderam velas.

"Houve uma explosão no primeiro andar e o teto começou a cair. Ouvimos uma sirene e corremos para o corredor. Lá fora havia vários alunos deitados, inconscientes, outros sentados e gritando", contou à AFP Viktoria Voïko. estudante da escola.

"Eu vi muitas pessoas deitadas nos bancos perdendo sangue, foi horrível", acrescentou Alexei Mikhailov, um estudante que diz ter perdido vários companheiros na tragédia.

 

O presidente russo Vladimir Putin, por sua vez, culpou a "globalização" pela matança.

"É o resultado da globalização, das redes sociais, da internet. Vemos que se criou toda uma comunidade. Tudo começou com os trágicos eventos nas escolas dos Estados Unidos", afirmou durante um fórum em Sochi.

"Não estamos criando um conteúdo saudável (na internet) para os jovens, o que leva a tragédias desse tipo", acrescentou.

O suspeito "andou de sala em sala e, como um combatente experiente das forças especiais, lançou uma granada caseira para depois disparar seu fuzil contra as pessoas", destacou o jornal Kommersant, que evoca um "crime sem precedentes na Rússia", onde há um controle rigoroso de armas de fogo, ao contrário dos Estados Unidos.

O líder da Crimeia, Seguei Aksionov, afirmou nesta quinta que o atirador não agiu sozinho.

"Tal evento é preparado antecipadamente, do meu ponto de vista e do ponto de vista de meus colegas, e não poderia ser feito sozinho", declarou.

Soldados da guarda nacional foi mobilizados em todos os colégios da península, indicou Aksionov.

O último balanço do massacre publicado pelas autoridades é de 20 mortos, incluindo nove menores, e cerca de 40 feridos, a maioria estudantes.

Os cirurgiões tiveram que amputar vários membros devido a ferimentos causados pelas bolinhas de metal da bomba caseira que o autor do assassinato detonou.

Em algumas vítimas, esses pedaços de metal mutilaram músculos, disse a ministra da Saúde da Rússia, Veronika Skvortsova.

O ataque de quarta-feira desatou uma onda de pedidos na Rússia para reforçar a legislação sobre armas.

O porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, disse que é preciso evitar "decisões impulsivas" e que preferem "uma abordagem séria e sistêmica" para os problemas de assassinatos nas escolas.

"É uma tendência muito perigosa que precisa de uma análise aprofundada. Vamos ter que tomar medidas para minimizar ou excluir totalmente esses riscos no futuro", disse Peskov.

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