Opositor russo Navalny é acusado de 'difamação'

O opositor russo Alexei Navalny, libertado no domingo depois de passar 50 dias na prisão, anunciou nesta segunda-feira que é alvo de uma nova investigação judicial por "difamação" num caso que remonta a 2016.

"Esta manhã o meu advogado recebeu um telefonema de um investigador do Ministério do Interior, que lhe disse que eu deveria me apresentar hoje como parte de uma investigação", afirmou o opositor de 42 anos em seu site.

Depois de comparecer a uma delegacia de Moscou com seu advogado, Navalny explicou no Twitter que teve que assinar um documento informando-o de seus direitos.

Navalny afirma que este novo caso diz respeito a uma denúncia apresentada por um ex-investigador do Ministério do Interior, Pavel Karpov, que o acusou em 2016 de "difamação".

Numa postagem em seu site, Navalny acusou Karpov de ostentar um estilo de vida extravagante e apontou uma suposta ligação com a morte numa prisão russa do advogado Sergei Magnistki, o que causou entre 2012 e 2013 uma crise diplomática entre Moscou e Washington.

Navalny também afirmou que Karpov era o proprietário de um apartamento de quase um milhão de dólares e de vários carros de luxo.

Após a denúncia, Navalny foi interrogado pela polícia e seu apartamento foi revistado pelos serviços de segurança.

"Até onde sei, não posso ser preso atualmente por essa acusação", disse Navalny. "Mas só Deus sabe como a complexa e engenhosa maquinaria legal de Putin funciona", acrescentou ele, observando que esse caso havia sido "arquivado".

Navalny, feroz opositor do presidente Vladimir Putin, foi condenado no final de agosto a 30 dias de prisão por organizar uma manifestação não autorizada em janeiro.

O blogueiro acusou as autoridades de enviá-lo para a prisão para evitar que ele protestasse em 9 de setembro contra um projeto de reforma da previdência impopular promovida pelo governo.

No entanto, milhares de russos responderam ao seu chamado em todo o país e a polícia fez mais de mil prisões, algumas muito violentas.

Em 24 de setembro, recém-libertado, Navalny foi preso novamente e condenado a 20 dias de prisão por ter convocado uma manifestação contra a reforma, finalmente promulgada no início de outubro.

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