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Verdes se apresentam como alternativa a extremistas na UE

Ambientalistas tiveram bons resultados em três países

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Em meio ao avanço da extrema direita e do euroceticismo na União Europeia, partidos ambientalistas se apresentaram como uma alternativa moderada ao establishment, ao menos nos países do norte do bloco.

Em três eleições no último fim de semana, partidos verdes obtiveram resultados expressivos e podem levar a mudanças na partilha do poder em seus respectivos países.

Na Baviera, um dos estados mais ricos da Alemanha, os Verdes conquistaram 17,5% dos votos e se tornaram a segunda força no Parlamento regional, atrás apenas da União Social-Cristã (CSU), com 37,2%, histórica aliada da chanceler Angela Merkel e que tinha maioria absoluta no Legislativo local.

A legenda ambientalista roubou parte do eleitorado liberal da CSU, insatisfeito com o discurso de medo promovido pelo partido conservador, que agora terá de buscar alianças para seguir no governo. A opção preferida é pelo movimento de centro-direita Eleitores Livres da Baviera (FW), que tem 11,6%.

A extrema direita, representada pela legenda Alternativa para a Alemanha (AfD), conquistou seus primeiros assentos no Parlamento regional, mas se limitou a 10,2% dos votos, enquanto o tradicional Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, caiu de 20,6% para 9,7%.

O histórico revés da CSU e a derrocada do SPD podem aumentar a pressão por mudanças no governo Merkel, que é fruto de uma aliança entre os dois partidos e a majoritária União Democrata-Cristã (CDU), liderada pela chanceler.

"Devemos admitir que a situação é difícil e que, por isso, devemos ter um novo estilo de governo", admitiu o secretário-geral dos sociais-democratas, Lars Klingbeil. Já no vizinho Luxemburgo, o liberal Partido Democrático (DP), do primeiro-ministro Xavier Bettel, foi o terceiro mais votado, com 18,27% dos votos, atrás do conservador Partido Popular Cristão-Social (CSV), com 33,66%, e do centro-esquerdista Partido dos Trabalhadores Socialistas (Lsap), com 20,28%.

As três legendas perderam cadeiras no Parlamento, enquanto os Verdes saltaram de 10,13% para 15,2%, o que aumentará sua força em uma provável coalizão com Bettel e o Lsap, aliança que já governa Luxemburgo desde 2013.

Já na Bélgica, que realizou eleições municipais no fim de semana, o partido ambientalista Ecolo foi o segundo mais votado para o conselho municipal de Bruxelas, com 16,81% dos votos. Além disso, conquistou três dos 19 distritos da capital - antes a legenda tinha apenas um.

"Uma onda verde passou pela Baviera, pela Bélgica e por Luxemburgo. Os partidos verdes estão se afirmando como força vencedora, tanto de governo como de oposição, porque levam propostas críveis sobre a transformação do sistema econômico e a urgência ecológica", disseram os copresidentes do Partido dos Verdes Europeus, Monica Frassoni e Reinhard Butikofer.



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