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Aliados de Merkel perdem maioria na Baviera

Verdes comemoram crescimento em eleições regionais na Baviera

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A União Social-Cristã (CSU), histórica aliada da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, sofreu um revés inédito nas eleições regionais da Baviera, um dos estados mais ricos do país, realizadas neste domingo (14).

O partido conservador, que é uma espécie de braço regional da União Democrata-Cristã (CDU), legenda liderada por Merkel, teve maioria absoluta no Parlamento da Baviera nos últimos 56 anos, com exceção de cinco, mas viu seu domínio sofrer um duro golpe.

Segundo projeções da imprensa local, a CSU terá 35,3% dos votos, o que a forçará a buscar alianças para seguir no governo - a apuração ainda está em curso. "Não é um dia fácil para a CSU, este é um resultado doloroso", reconheceu o candidato do partido a governador, Markus Soder.

Ainda assim, a sigla segue como a mais votada na região, o que torna praticamente impossível a formação de um governo que a exclua. "Não apenas somos o partido mais forte, mas também recebemos um claro mandato para governar", acrescentou o candidato.

A CSU deve abrir negociações com todas as legendas com cadeiras no Parlamento regional, com exceção da Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita e que deve ficar com 11% dos votos, um resultado inédito na Baviera.

Quem comemora, por outro lado, são os Verdes, que saíram de 8,6% em 2013 para 18,5%, o que os tornam os principais candidatos a formar um governo com a CSU. Tanto os Verdes, pelo lado liberal, quanto a AfD, pelo lado ultraconservador, roubaram votos dos aliados de Merkel.

Já o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda e que também integra a base aliada da chanceler, deve cair de 20,6% para cerca de 10%. Aproximadamente 9,5 milhões de eleitores foram chamados às urnas, e a participação foi de 72,5%, um crescimento de quase 10 pontos em relação aos 63,6% de 2013.

"Um resultado histórico. Os eleitores deram um sinal claro: não se pode continuar assim", afirmou Katharina Schulze, líder dos Verdes, que criticam a "política do medo" defendida pela CSU.

Especula-se que o mau desempenho nas urnas possa custar o posto do ministro do Interior, Horst Seehofer, um dos expoentes da CSU e que quase derrubou o governo Merkel para forçá-la a endurecer suas políticas migratórias. No entanto ele deu sinais de que pretende continuar no cargo. (ANSA)



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