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Curdistão iraquiano realiza eleições legislativas em plena crise

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O Curdistão iraquiano votou neste domingo para renovar o Parlamento desta região autônoma do norte do Iraque, em plena crise econômica um ano depois do fracasso do referendo de independência.

Esta votação, cujos resultados serão divulgados dentro de 72 horas, segundo a Comissão Eleitoral, geraram pouco entusiasmo.

Segundo os analistas, o resultado pesará na eleição, nesta segunda-feira, pelo Parlamento Federal em Bagdá do presidente da República do Iraque, cargo tradicionalmente reservado a um curdo.

O Curdistão iraquiano, que reúne três províncias, é autônomo desde 1991, mas agora está obrigado a renegociar com o poder central em Bagdá, que encerrou no ano passado o desejo de independência da região.

As eleições legislativas são as primeiras desde a vitória por grande margem do "Sim" em um referendo de independência celebrado em setembro de 2017 na região.

Quase 3,1 milhões de eleitores votaram para eleger 111 deputados. Foram registrados incidentes limitados. Em alguns locais de votação homens armados tentaram votar sem ter a documentação necessária, constatou a AFP.

Após o fechamento dos centros de votação, a Comissão Eleitoral anunciou uma participação de 58% em Erbil, 61% em Dohuk, reduto do PDK, e 53% em Suleimânia.

 

"É preciso abrir uma nova página após os problemas do referendo e da guerra contra o grupo Estado Islâmico", derrotado em 2017, afirma à AFP Hawraz Salar, de 26 anos, antes de votar na capital da região, Erbil.

Há um ano, os curdos votaram em massa pela secessão desta região, contra a vontade de Bagdá e da comunidade internacional. Para evitar uma proclamação de independência, as autoridades centrais iraquianas retomaram dos curdos as áreas que controlavam até então e, sobretudo, os recursos petroleiros, cruciais para a viabilidade do Estado.

Hoje, o sonho de um Estado próprio parece bem distante para os curdos iraquianos. Além de um Estado independente, a região perdeu o controle sobre a exportação de seus 550.000 barris de petróleo por dia, e obtém somente 12% do orçamento federal iraquiano (cerca de um bilhão de dólares).

O valor é insuficiente para superar o déficit de uma economia baseada nos rendimentos do petróleo, e afetada por uma quantidade enorme de funcionários públicos.

Além disso, os combates contra os jihadistas pesaram tanto no orçamento federal como no do Curdistão, e afundaram o norte do Iraque no caos durante três anos.

 

Este ano, as eleições têm um alcance particular já que ocorrem na véspera da eleição do novo presidente da República pelos deputados de Bagdá.

O cargo, reservado a um curdo, sempre foi ocupado, até agora, por um candidato da União Patriótica do Curdistão (UPK), do falecido presidente iraquiano Jalal Talabani.

Mas este ano, pela primeira vez, o partido de Massoud Barzani - que abandonou a presidência da região no final de 2017 -, o Partido Democrático do Curdistão (PDK), apresenta um candidato.

Trata-se de Fuad Hussein, ex-chefe de gabinete de Barzani, que multiplica suas visitas a Bagdá, assim como o favorito, o primeiro-ministro do Curdistão, Barham Saleh (UPK).

Nas legislativas deste domingo, os especialistas preveem um aumento do número de deputados do PDK, atualmente primeira força do Parlamento curdo, com 38 cadeiras. O UPK tem 18.

O partido Goran (mudança, em curdo) é a principal força de oposição, com 24 cadeiras, seguido pela União Islâmica (10) e a Jamaa Islamiya (6), entre outros.

 



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