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EUA cortam contribuição à agência da ONU para refugiados palestinos

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Os Estados Unidos suspenderam nesta sexta-feira (31) o seu fornecimento de ajuda à agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA), após determinar que a organização é "irremediavelmente falha", anunciou o Departamento de Estado.

"A administração reviu cuidadosamente a questão e determinou que os Estados Unidos não farão contribuições adicionais para a UNRWA", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, em um comunicado.

"Os Estados Unidos não querem dar mais financiamento adicional para esta operação irremediavelmente tendenciosa", declarou Nauert ao acusar a agência de aumentar "de maneira exponencial" o número de palestinos elegíveis para o status de refugiados. "Simplesmente isto é inviável".

Os Estados Unidos, historicamente o principal país doador da UNRWA, já havia reduzido drasticamente as suas contribuições. De 350 milhões em 2017, o montante passou para 65 milhões em 2018.

"Rejeitamos e condenamos esta ação em sua totalidade", disse Saeb Erekat, chefe negociador palestino, apelando a todos os países "a rejeitar esta decisão e dar todo o apoio possível" a UNRWA.

A UNRWA expressou "sua profunda rejeição e desacordo com o anúncio dos Estados Unidos...", em mensagem de seu porta-voz, Chris Gunness, no Twitter.

"Rejeitamos nos termos mais enérgicos as críticas de que escolas, centros de saúde e programas de assistência de emergência estejam 'irremediavelmente tendenciosos".

O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que a agência tem "toda a sua confiança" e convocou os demais países "a cobrir o rombo financeiro para que a UNRWA possa continuar proporcionando esta assistência vital".

"Cortar ajuda à UNRWA significa que os Estados Unidos estão renunciado aos seus compromissos e responsabilidades internacionais", disse Hossam Zomlot, embaixador palestino em Washington.

"Ao adotar as posições israelenses mais extremas sobre todas as questões, incluindo os direitos de mais de cinco milhões de refugiados palestinos, a administração americana perdeu seu status de mediador e não só está minando uma situação já instável, mas também as possibilidades de uma paz futura no Oriente Médio", acrescentou o embaixador em uma declaração enviada antes do anúncio à AFP.

Ainda assinalou que "não cabe à administração americana definir o status dos refugiados palestinos, a única condição que os Estados Unidos podem definir é o seu próprio papel como mediador de paz na região", disse Hossam Zomlot.

"Existem inúmeros refugiados que continuam recebendo assistência", enquanto o governo palestino "continua criticando os Estados Unidos", disse esta semana a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley.

"Acho que temos que olhar para o direito de retorno", acrescentou.

A Autoridade Palestina rejeitou qualquer contato com Washington desde que Donald Trump anunciou no final de 2017 que reconhecia Jerusalém como a capital de Israel. Os Estados Unidos também anunciaram na semana passada o cancelamento de mais de 200 milhões de dólares em ajuda bilateral aos palestinos.

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