Ex-procurador da Lava Jato atua no escritório que negocia leniência da JBS

A informação de que o ex-procurador da República Marcelo Miller, que atuava no grupo de trabalho da Lava Jato e era um dos braços-direitos do procurador-geral da República Rodrigo Janot, passou a atuar neste ano no escritório Trench, Rossi & Watanabe Advogados que negocia com a PGR os termos de leniência do grupo JBS, surpreende e preocupa. 

Miller atuava na Lava Jato até março e, segundo informações, teria deixado o MPF surpreso com sua decisão de ir para o setor privado. A decisão de Miller se tornou pública em 6 de março, véspera da conversa entre Joesley Batista e o presidente Michel Temer, gravada pelo empresário no Palácio do Jaburu.

O acordo de delação permitiu que Joesley e seu irmão, Wesley, não precisassem ficar presos, e sequer usando tornozeleira eletrônica. Eles tiveram inclusive anistia nas demais investigações às quais respondem.

Em nota, a PGR informou  que Miller não participou das negociações para delação. No que diz respeito ao acordo de leniência, diz o texto, o ex-procurador envolveu-se somente na fase inicial de discussão e, depois, foi afastado.