Os negócios da Oi e a euforia na Bovespa

A proposta da Oi de compra da participação da Telecom Itália na TIM Brasil, com intermediação do banco BTG Pactual, anunciada na quarta-feira (27), acontece num momento em que esta mesma Oi enfrenta situação delicada na fusão com a Portugal Telecom.

Diga-se de passagem que o negócio entre a Oi e a TIM pode chegar a algo em torno dos R$ 18 bilhões. Na quarta-feira, a notícia agitou o mercado: os papéis da Oi subiram 6,71%, após alcançarem mais de 10% durante o pregão. Já as ações da TIM avançaram 11,18%, a maior alta desde 5 de agosto de 2010.

Mas há pouco menos de dois meses, a Oi se encontrava num cenário bem diferente: a suposta aplicação de 897 milhões de euros da Portugal Telecom na Rioforte fora do conhecimento da Oi prejudicou a imagem da empresa brasileira e o andamento do processo de fusão entre as duas empresas, gerando repercussão no mercado.

Os problemas fizeram inclusive que o BNDES - um dos acionistas da Oi - sugerisse modificar termos do acordo entre as duas companhias. Aliás, a Oi já obteve do BNDES R$ 6,9 bilhões em empréstimos, o que representa aproximadamente 23% do total de sua dívida de R$ 30 bilhões.

A Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec) também reagiu contra a fusão entre Oi e Portugal Telecom, afirmando que os acionistas minoritários da companhia carioca “se veem na contingência de sofrer prejuízos decorrentes da reestruturação societária da companhia”. Para a Amec, o acordo é "assimétrico".

Como se não bastasse, o caso Oi - Portugal Telecom remete ainda ao Banco Espírito Santo, que recentemente sofreu intervenção do banco central de Portugal. A Rioforte é a holding do Grupo Espírito Santo, do qual faz parte o Banco Espírito Santo. O Grupo Espírito Santo desenvolve atividades financeiras no Brasil, direta ou indiretamente, desde 1976, dois anos após a Revolução dos Cravos que derrubou o regime salazarista em Portugal. Na época, os acionistas foram rechaçados, o banco foi nacionalizado e os principais sócios deixaram Portugal. Iniciaram, então, atividades financeiras no Brasil, na Suíça, na França e nos Estados Unidos, com destaque para a multiplicação dos negócios em terras brasileiras. Informações dão conta de que eles se associaram a grupos brasileiros, participando de operações ilícitas e causando grandes prejuízos. A família retomou o Banco Espírito Santo posteriormente.

O ex-diretor executivo do Banco Espírito Santo, Ricardo Espírito Santo Salgado -  patriarca da família - está sob investigação após o recente calote do banco em Portugal. Ele é suspeito de favorecimento a credores, envolvimento em esquema de lesão ao fisco e lavagem de dinheiro. De acordo com o colunista Lauro Jardim, da Veja, Ricardo inclusive estaria tentando transferir seus bens no Brasil - onde morou entre 1976 e 1982 - para familiares.

Quando veio para o Brasil, este senhor se associou a empresários brasileiros que também tiveram, no curso desses últimos anos, negócios mal sucedidos. Negócios ligados a bancos, ao setor cafeeiro, à indústria automobilística, e ainda tentaram ganhar um banco em crise por R$ 1. 

Com todo este histórico, a Oi anuncia agora a intenção de compra da TIM. E a divulgação do negócio teve forte impacto na Bolsa de Valores. Fica a pergunta no ar: a Comissão de Valores Mobiliários mandou levantar informações sobre os compradores de ações da Oi e da TIM nestes últimos dias?