Museu do Índio: destino incerto ou inconfessável? 

A decisão do governador Sérgio Cabral de não mais demolir o prédio do antigo Museu do Índio pode guardar alguns segredos ou desejos (por enquanto) inconfessáveis.

A nota que o Palácio Guanabara divulgou segunda-feira (28) admitiu que “o Estado ouviu as considerações da sociedade a respeito do prédio histórico, datado de 1862, analisou estudos de dispersão do estádio e concluiu que é possível manter o prédio no local” Ou seja, uma posição aparentemente democrática.

Nada falaram sobre a destinação a ser dada ao edifício que ainda seria desconhecida. Só definiram que ele terá que ser “desocupado dos seus invasores”. Ou seja, os índios que ali estão desde 2006 vão para o olho da rua. Abrirão espaço para a reforma a ser feita pela empresa que vencer “a licitação do Complexo do Maracanã”.

Como se sabe, o sonho do governo Cabral é entregar o Maracanã para a administração privada. Pelo que se fala, quem está de olho grande nele é o megaempresário Eike Batista.

Ou seja, quem comprar pela licitação o direito de explorar o estádio reformará o prédio. Para compensar, além do próprio estádio, poderá explorar um estacionamento e um centro comercial a ser erguido em volta do velho campo de futebol.

Ai reside o perigo para muitos que, com a nota, passaram a alimentar uma forte suspeita: o destino do prédio não seria tão desconhecido assim, mas pode ainda ser inconfessável.

No lugar do tão falado Centro de Referência Indígena que muitos almejam, podem pretender usar o prédio centenário como o tal centro comercial, com restaurantes, lojas e outros badulaques mais.