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Mensalão: Ministros não abreviam votos; julgamento não tem mais prazo 

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Nesta quinta-feira, na 23ª sessão do julgamento da ação penal do mensalão, pela primeira vez, não houve intervalo para o lanche dos ministros, num “esforço concentrado” para que fossem concluídos os votos referentes aos 10 réus do chamado núcleo publicitário financeiro — os dirigentes do Banco Rural, Marcos Valério e seus sócios nas empresas SMP&B e DNA — acusados de lavagem de dinheiro.

Acordo difícil

Apesar do pretenso entendimento no sentido de que os oito ministros que ainda não tinham se pronunciado proferissem resumos bem sintéticos dos votos escritos, não se estendendo nos pontos em que concordavam com o relator Joaquim Barbosa, a sessão iniciada às 14h30 só terminou às 20h40.

Rouco de ouvir

Ao iniciar sua intervenção, às 18h45, o ministro Gilmar Mendes comentou, dirigindo-se ao ministro Ayres Britto: “Presidente, já estou rouco e cansado só de ouvir”. Mas não conseguiu fazer as prometidas “breves considerações”, e falou durante uma hora.

Dias Toffoli já tinha se estendido por mais de uma hora, e não foram também propriamente breves os votos de Rosa Weber e Luiz Fux. Sem falar nos 35 minutos iniciais da sessão consumidos pelos ministros Joaquim Barbosa (relator) e Ricardo Lewandowski (revisor), que procuraram reforçar suas posições divergentes já expostas nos seus votos proferidos — nas sessões de quinta-feira da semana passada e de quarta-feira.

Só em novembro

Ao término da sessão, o ministro-relator Joaquim Barbosa fez mais um apelo para que sejam realizadas outras sessões extras pela manhã, a fim de que o julgamento não tenha de entrar pelo mês de novembro.

A próxima etapa — a partir de segunda-feira próxima — consiste no julgamento de 23 réus acusados de pagar e de receber o mensalão.

De um lado, José Dirceu, Delúbio Soares e Genoino. Do outro, os parlamentares dos partidos aliados ao PT (PL, PP, PTB e PMDB). Como lembrou Barbosa, será a mais longa jornada de todo o julgamento da ação penal.