DNA Propaganda: um DNA de escândalos eleitorais

Não é de hoje que a Agência de Publicidade de Marcos Valério, a DNA Propaganda LTDA., de Belo Horizonte, que serviu para repassar verbas no esquema montado no chamado Mensalão, está envolvida em escândalos políticos. 

Em 1995 seu nome apareceu em outro caso de financiamento ilegal de campanhas políticas, o famoso escândalo da Pasta Rosa.

A pasta, foi encontrada por servidores do Banco Central durante o processo de intervenção no Banco Econômico, em um uma cofre utilizado pela presidência da entidade financeira, gerida pelo ex-ministro da Indústria e Comércio do governo Geisel, Ângelo Calmon de Sá. 

Nas 249 páginas que a pasta guardava estavam os recibos de pagamentos feitos pelo banco para cobrir despesas da campanha política de 1990. Foram distribuídos 2,4 milhões de dólares a 25 candidatos, dos quais sete disputando o cargo de governador. O maior beneficiado foi Antônio Carlos Magalhães, do PFL, que disputava o governo da Bahia e levou 1,114 milhão de dólares.

Em Minas Gerais, o banco auxiliou o candidato ao governo, também pelo PFL, Oscar Corrêa Júnior, filho do ex-ministro da Justiça de José Sarney, Oscar Dias Corrêa, pagando suas despesas com publicidade. Para saldar as despesas, o presidente do Econômico usou um cheque administrativo em nome da DNA Propaganda LTDA..

Por conta da Pasta Rosa foi aberto un inquérito na Superintendência da Polícia Federal de Brasília - o Nº 01.010/96-SR/DPF/DF - presidido pelo delegado Paulo Lacerda, que ano depois foi diretor-geral do DPF. Na investigação foram ouvidos dois sócios da DNA: Marcos de Andrade Pinto e Márcio Hiram Guimarães Novaes.

No âmbito eleitoral, porém, a descoberta não teve maiores consequências pois como entendeu o então Procurador-Geral da República, Antonio Brindeiro, que deixou o cargo com o apelido de engavetador-geral, ainda que as doações aos candidatos, em 1990, fossem ilegais, não contabilizadas, na época elas não estavam definidas como crime, logo não havia punição.