Verdades incômodas à Comissão da Verdade

Na tarde desta segunda-feira (13), ao se reunir na sede da OAB do Rio de Janeiro com o teólogo Leonardo Boff, a Comissão Nacional da Verdade ouviu um discurso duro contra a lei da anistia brasileira e críticas veladas ao trabalho dos sete membros da comissão.

No encontro, coordenado pelo advogado Marcelo Chalreo, mas que contou com a presença dos sete membros da Comissão, à frente o seu coordenador, ministro Gilson Dipp, Boff falou na condição de militante dos Direitos Humanos.

Deveria abordar as “Estruturas da Repressão – Locais de Tortura e Morte no Rio de Janeiro”,  mas foi além. Cobrou uma postura diferente do Brasil na questão da Anistia. Chamou de retrógrada e injusta a lei brasileira, por colocar em um mesmo patamar algozes e vítimas, dando lhes o mesmo tratamento. Para ele, a Comissão da Verdade não pode conviver com uma legislação que está "fora do consenso universal do direito".

Boff cobra a punição dos que cometeram crimes contra a humanidade, em conformidade com o que já decidiu a Corte Interamericana de Direitos Humanos que condenou o Brasil a apurar e punir a ação dos militares no combate à Guerrilha do Araguaia.

A cobrança não foi uma uma novidade mas, sem dúvida, não foi das mais agradáveis aos  ouvidos de alguns membros da comissão que preferem não questionar a validade da lei da Anistia.