Cláudio Guerra revela identidade de seis torturadores à Comissão da Verdade

São nomes ainda não tornados públicos, nem no livro "Memórias de Uma Guerra Suja"

O ex-delegado Cláudio Guerra deixou, na tarde de domingo, a casa geriátrica onde reside, em Vitória, acompanhado de um delegado federal que o levou à Brasília para, na manhã desta segunda-feira (25), reunir-se com a Comissão da Verdade.

Na parte da manhã o encontro serviu para uma apresentação, em uma conversa informal entre o ex-delegado que colaborou intensamente com órgãos de repressão durante a ditadura militar e os sete membros da comissão encarregada de levantar o que aconteceu naquele período.

Só à tarde Guerra foi ouvido formalmente. Como já admitiu a amigos do Espírito Santo, não apenas confirmou as denúncias feitas no depoimento que prestou aos jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto, que se transformou no livro “Memórias de Uma Guerra Suja” (editora Topbooks), como foi além, informando nomes que não havia revelado ainda.

Além de confirmar o que disse no livro, inclusive sobre como ajudou a desaparecer com corpos de militantes políticos queimando-os em fornos de uma usina de açúcar de Campos (RJ), Guerra apresentou à Comissão os nomes de seis outros “agentes da repressão”. Os seis, tal como ele, atuaram debaixo de ordens militares e se tornaram "executores" de militantes políticos presos.

São - como ele define -, “outros Claudios Guerra”, muito embora tenham tido uma participação menor da que atribui a si mesmo. Mas também foram responsáveis por assassinatos.

Todos eles até hoje não tiveram seus nomes revelados. Estão vivos e podem ser novas testemunhas do que aconteceu nos porões da ditadura. Dois deles moram em São Paulo, dois em Minas Gerais, um em Brasília e outro na Bahia.

O depoimento de Guerra foi interrompido no final da tarde desta segunda-feira, mas prosseguirá na manhã de terça.