"Tento sempre me colocar numa posição de humildade com relação à vida", diz Juliana Paes

A família é o refúgio da atriz nos momentos de pressão pelo sucesso 

São quase 20 anos de uma carreira cheia de grandes papéis e um dos rostos mais conhecidos do público por todo o Brasil, mas Juliana Paes ainda consegue surpreender. Em 2017, ela deu vida à Bibi Perigosa em "A força do querer", papel que ela considera "um marco", do tipo de coisa que não acontece todos os dias. A controversa mulher que se envolve com o tráfico de drogas por amor de fato caiu na boca do povo. "A Bibi foi um grande momento na minha carreira, é um marco mesmo. Vou fazer quase 20 anos de carreira e nunca tinha vivenciado algo tão intenso. Perdi um pouco a minha identidade, as pessoas só me chamavam de Bibi. Foi uma experiência enlouquecedora de não poder sair na rua, de ir ao shopping e não conseguir andar. Senti muito esse assédio e essa comoção.  Demora um pouco pra sair do corpo essa coisa que ficou tão orgânica. Já me peguei gesticulando como ela ou em uma pose muito parecida", entregou, em entrevista à revista "Quem".

Os aprendizados na pele da personagem foram enormes e, após o sucesso, Juliana pode assegurar: "A televisão está viva. Muito se diz por aí que a novela acabou. Eu não acredito nisso. A dramaturgia está viva e a novela brasileira é coisa nossa. A gente nunca vai deixar de acompanhar uma boa novela, com bons personagens. Se são bons ou maus, de boa índole ou não, não importa. As pessoas gostam de personagens humanizadas. Se são humanos, elas vão querer acompanhar pra criticar, gostar, amar, ficar com raiva, torcer, debater", analisou ela, que, agora, quer dar um tempo da tv para que o público desligue sua imagem da personagem.

Enquanto isso, os fãs podem vê-la nos cinemas, em "Dona Flor e seus dois maridos", remake do sucesso de Jorge Amado, na pele da personagem principal, já interpretada por Sonia Braga. Será que o desafio a amendronta? "Insegurança não sei se é a palavra. Bate aquele frisson do desafio. Me sinto desafiada e gosto disso. Ninguém pode dizer que não sou corajosa. Ao mesmo tempo me sinto, hoje em dia, numa posição muito confortável como atriz de fazer minhas próprias personagens. Claro que tenho muita reverência pelo que já foi feito. Sou grande fã da Sônia Braga, é impossível não tê-la como pano de fundo, ela inspira tudo que fiz. Mas me sinto confortável pra fazer do meu jeito, com as minhas ferramentas, no meu entendimento da personagem", explicou ela, que sabe que as cenas sensuais são um desafio para o marido, Carlos Eduardo Baptista, com quem está casada há quase dez anos. "Temos uma relação em casa que é de muita parceria. Algumas sequências o Dudu não gosta de acompanhar e eu entendo. Não fico insistindo do tipo: 'Olha lá essa sequência agora, você tem que assistir!'. É quase uma tortura".

Além disso, a atriz se prepara para um retorno triunfal à Sapucaí, onde fez história à frente da bateria da Viradouro. Agora, Juliana ocupa o posto na Grande Rio e tem apenas dez dias para se preparar para a Avenida. "Voltei por pura saudade! Carnaval é uma paixão, uma coisa que me anima, me excita. Me deixa feliz estar perto da bateria, daquele buchicho todo. Eu gosto, sempre amei", entregou ela, que passou o Réveillon em Jericoacoara e, agora, tira férias de 20 dias com os filhos, os pequenos Pedro, de sete anos, e Antônio, de quatro. "Minha preparação será quando voltar, 10 dias antes do Carnaval. Mas é aquilo também... No final das contas, também quero fazer um statement: Sou uma mulher de 38 anos na avenida, não quero parecer uma menina de 20. Quero parecer uma mulher de 38 que está animada, que se diverte. Não tenho obrigação de ter um tanquinho. Se tiver, ok. Se não estiver, ok também. É bacana pras mulheres da minha faixa etária verem que a gente está com tudo em cima e não precisa deixar de botar o biquíni e sambar porque não tá com a barriguinha de quem tem 20 anos. Acho que tem esse recado. A minha preocupação é mais pelo fôlego do que uma questão estética, é bom fazer uns treinos de cardio por que é muito tempo sambando. Mas aquele batidão de preparação pro Carnaval não vai ter", assegurou.

Sempre bem-resolvida, será que a atriz tem alguma insegurança? "Não diria insegurança... mas a minha preocupação hoje em dia é se a oferta de personagens vai ser à altura do que eu me sinto pronta pra assumir, de papéis maduros. Tenho essa preocupação das escolhas que vou fazer. Quanto mais longe você vai numa trajetória de carreira, mais dificil é escolher o próximo passo a dar. Não quero queimar cartucho, quero dar tiro certo", disse. "Eu me considero uma pessoa bem resolvida sim, tem a ver com espiritualidade, em buscar autoconhecimento, fé, religião, missão da vida. Acredito muito nisso. Venho de uma familia umbandista, mas por conta própria fui atrás de preceitos budistas, acredito muito no poder da meditação. Tento sempre me colocar numa posição de humildade com relação à vida. Por mais que tenham momentos em que todo mundo fale pra você: 'Nossa, que sucesso!'... Minha atividade é me distanciar de tudo isso e ver que, no fim, o que vale é a família. Tento não ser dragada por esse universo de fama, vaidade. É um exercício diário e não vou te falar que não caio nessas ciladas. Estou longe de qualquer tipo de iluminação, mas acho que só de ter consciência e estar sempre se questionando, é metade do caminho. Mas de uns tempos pra cá tenho pensado muito em fazer terapia, sim", contou.