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Taís Araújo sobre a maternidade: "Não me completa, sou mais que isso"

Em uma entrevista para a revista Marie Claire, a atriz falou sobre abortos espontâneos que sofreu

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No ar como Michele em "Mister Brau" há três temporadas - programa em que trabalha ao lado do marido Lázaro Ramos, Taís Araújo arrasta ainda mais fãs do que sua cantora fictícia. Isso porque, além de linda, ela é cheia de opinião e não tem medo de expor isso - seja na internet, em suas redes sociais, em entrevistas sinceras ou até mesmo na televisão, como é o caso do "Saia Justa" - ela integra o sofá do programa desde o começo desse ano. 

Em recente entrevista à revista Marie Claire, a atriz, com sua habitual sinceridade, contou como foi engravidar da sua segunda filha, a pequena Maria Antônia, de dois aninhos. Ela já era mãe de João Vicente, atualmente com cinco anos. "Engravidar foi sempre um prazer. Na gestação do João eu parecia uma zen-budista. Na da Maria não, porque não me planejei. Estava gravando a novela "Geração Brasile usava DIU quando fui convidada para o filme "O Roubo da Taça". Tirei o DIU, mas achei que fosse engravidar seis meses depois. Cara, rolou no mês seguinte. Daí, foi aquela situação horrorosa de dar a notícia para a turma da novela, do filme, mudar enredo... Enlouqueci. Mudei de casa e, dois meses depois, cismei que queria reformar de novo, fiz obra... Essas maluquices que as grávidas fazem", lembrou, aos risos.

E essa não foi a única "aventura" nessa época. Ela, que queria parto normal, acabou tendo que optar por uma cesárea e conta que sofreu pressão por parte dos defensores do parto natural. "Quando visitei uma maternidade na gravidez do João, fiquei com muito medo. Liguei para a minha irmã, que é obstetra, e pedi para ela fazer meu parto. Era a única maneira de eu não pirar. Ela disse que faria com prazer, mas, como mora em Brasília, precisaria ser cesárea. Ou arriscar não tê-la no dia. Decidi marcar. Senti muita pressão por parte dos defensores do parto normal, mas minha escolha precisa ser respeitada. Isso não faz uma mulher mais mãe do que outra. Nas duas cesáreas, tive medo. Na da Maria, quando estava entrando no elevador para a sala de cirurgia, o João deu um grito: ‘Mãe! Não vai!’. E o medo de o moleque ficar sem mãe? Falei para o Lázaro: ‘Se eu morrer, deixa a minha mãe te ajudar com as crianças’. Ele respondeu: “Pelo amor de Deus, isso é hora de falar uma coisa dessas?", contou ela, que chegou a sofrer dois abortos. 

“A primeira de um nenê que seria gêmeo do João, mas não vingou. Com dois meses, descobri que ele não tinha batimentos cardíacos. Felizmente o corpo reabsorveu o feto e não foi traumático. Mas foi sofrido. Chorei muito e o Lázaro me chamou para a realidade. Disse: ‘Ei, tem uma criança aí que precisa de você inteira’. A segunda perda foi mais triste. Estava tentando o segundo filho havia um tempo e perdi com um mês e pouco. Tive sangramento, senti dor. Fiquei arrasada, mas segurei a onda. Exatamente um ano depois, engravidei da Maria", disse ela, que não amamentou a filha mais nova. "O João mamou até um ano e dois meses e só parei porque ele não quis mais. Já a Maria, não pude amamentar porque no fim da gestação tive uma infecção que me fez tomar antibióticos na primeira semana de vida dela. Quando ofereci o peito, ela já não quis", lembrou.

"Fiquei mal. Sentei com meu analista e chorei. Ele me disse: ‘Não é isso que vai determinar a relação de vocês. Cuidado para não caminhar para uma depressão pós-parto’. Acho que todas as mulheres sentem essa culpa, mas a minha era enorme porque minha mãe me amamentou até os 6 anos. Lembro bem de como eu gostava. Mas a terapia — que faço desde os 22 anos — me ajuda a lidar com isso e várias outras coisas, como o fato de eu trabalhar muito. Nunca pensei em parar para cuidar dos filhos. A maternidade, por si só, não me completa. Sou bem mais do que isso. Minha história é esta: trabalho para criar os filhos da melhor maneira e os crio da melhor maneira para poder trabalhar bem", disse.